Sendo o maior egoísta e construtor do Egito, Ramsés 2º ergueu mais templos e estátuas - de si mesmo, naturalmente - do que qualquer outro faraó. Sua campanha de autoglorificação funcionou, porque mais de 3.200 anos após sua morte ainda nos lembramos de Ramsés, o Grande.

Quatro imagens do grande Ramsés, que pesam 1,1 milhão de quilos cada.
Corbis
Quatro imagens do grande Ramsés, que pesam aproximadamente 1,1 milhão de quilos cada. Em 27a.C., uma estátua perdeu sua parte superior em um terremoto

Seus trabalhos mais impressionantes são os dois templos de rochas em Abu Simbel. Entalhado numa montanha da margem oeste do Nilo, o Grande Templo de Ramsés 2º é protegido por quatro estátuas do faraó. Ele queria impressionar os rebeldes núbios com seu poder, por isso, as estátuas têm aproximadamente 20 m de altura - e estão sentadas. Cada uma delas pesa aproximadamente 1.200 toneladas. As estátuas certamente deixavam os amigos seguros e os inimigos, inseguros.

Dentro do templo existe o salão hipostilo, com o teto apoiado em oito colunas com figuras de, é claro, Ramsés. Mais para dentro, o santuário sagrado é decorado com estátuas de quatro deuses: Rá, Amon, Ptah e Ramsés, que se deificou.

Os engenheiros do faraó construíram o templo com tanta perfeição que todos os anos, nos dias 22 de fevereiro e 22 de outubro (aniversário de Ramsés e de sua coroação), a luz do sol nascente brilha pela entrada do templo, viaja 61m e, como um fogo celestial, ilumina a imagem de Ramsés.

Nos anos de 1960, os templos de Abu Simbel foram colocados em risco pela construção da grande represa de Assuan e pelas águas do lago Nasser, que resultaram dessa obra. Num incrível feito da engenharia moderna, os templos foram tirados do desfiladeiro rochoso, entalhados em blocos maciços (estima-se entre 950 a 2 mil), alguns pesando até 33 toneladas, e recolocados em um lugar mais alto nas redondezas. O templo de Ramsés foi cuidadosamente posicionado no novo lugar de forma que o sol ainda entre no santuário duas vezes por ano.

O Templo de Hator (feito de arenito rosa), a deusa do amor com cabeça de vaca, foi construído em homenagem à esposa favorita de Ramsés: a rainha Nefertari. Seu templo é, com certeza, menor do que o de Ramsés, e muitas das grandes estátuas que o enfeitam representam o poderoso faraó. Ramsés, o Grande, garantiu que seu legado fosse maior do que sua própria vida.

SOBRE O AUTOR: Jerry Camarillo Dunn, Jr., trabalhou com a National Geographic Society por mais de 20 anos, começando como editor, escritor e colunista na revista Traveler, e depois escrevendo guias de viagem. Seu último trabalho na National Geographic Traveler: San Francisco. Dunn’s Smithsonian Guide to Historic America: The Rocky Mountain States vendeu mais de 100 mil cópias. Seus artigos de viagem aparecem em jornais como Chicago Tribune e The Boston Globe. As histórias de Jerry Dunn ganharam três Prêmios Lowell Thomas da Sociedade dos Escritores de Viagem Norte-americanos, a mais alta honra na área. Ele também escreveu e apresentou um episódio piloto para um programa de viagem produzido pela WGBH, uma estação de televisão pública de Boston.