Introdução


­acidentes com animais na praia e no mar

Na passagem de ano para 2008 foram noticiados “ataques de águas-vivas” nos litorais de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Na verdade, eram caravelas-portuguesas (foto ao­ lado) que estavam procurando águas quentes no litoral do Sul e do Sudeste do Brasil.

 

Esse episódio atingiu banhistas em período de uso intenso da praia, em cidades com estrutura boa de atendimento médico. No entanto, com as facilidades de viagem, cada vez mais o contato com espécies marinhas perigosas se torna comum. A maioria dessas espécies vive em águas quentes, como as da costa brasileira, principalmente ao redor dos recifes. Com o aumento progressivo dos mergulhos em áreas costeiras, o risco de contato aumentará. Contudo, a maioria dos casos são de baixo risco de morte, somente com desconforto da dor e prurido.

Caravela-portuguesa
Imagem cedida NOAA

Além da ação da toxina há também o risco de reação alérgica e infecção bacteriana associada e tétano. A reação anafilática, visto que parte considerável dos mergulhadores foi exposta anteriormente ao antígeno do animal, poderá ocorrer, e o seu tratamento em condição de emergência é facultada ao leigo bem informado.

As infecções bacterianas são também freqüentes em acidentes por animais do mar, mas a cultura da secreção é mais difícil porque o efeito da água salgada interfere na realização dos exames. Antibióticos que tenham cobertura para Vibrio vulnificus, Aeromonas hydrophila, Edwardsiella tarda, Erysipelothrix rhusiopathiae, Mycobacterium marinum, Streptococcus iniae, e Vibrio damsela poderão ser administrados a critério médico.

A vacinação antitetânica está indicada para adultos a cada dez anos, em conjunto com a vacinação para difteria (ver Como funcionam as vacinas). Para indivíduos que irão se aventurar no mar ou em passeios marítimos deveria ser obrigatório o reforço quando o prazo de validade da vacina estiver vencido.

Além das águas-vivas há descrição de outros envenenamentos com seres marítimos na costa brasileira desde a época do descobrimento do Brasil. Uma excelente revisão baseada também na própria experiência profissional foi realizada pelo professor Victor Haddad, da UNESP, no "Atlas de Animais Aquáticos Perigosos do Brasil - Guia Médico de Identificação e Tratamento de Acidentes". Editora Roca, São Paulo, 2000.