Água-viva e caravela-portuguesa

Uma descrição mais detalhada da água-viva e da caravela-portuguesa você poderá ver em Como funciona a água-viva. A importância médica das águas-vivas e da caravela-portuguesa vem do próprio nome do filo Cnidários, (da palavra grega "urtiga que queima"). As caravelas-portuguesas pertencem à classe Hidrozoa, e a espécie Physalia physalis é muito comum, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Todas as espécies cnidarianas têm uma boca no centro do corpo, envolvida por tentáculos. Os parentes cnidarianos incluem corais e anêmonas do mar. A água-viva é composta por cerca de 98% de água. Se permanecer na areia, desaparecerá assim que desidratar. A maioria é transparente e tem o formato de um sino, enquanto as caravelas-portuguesas lembram uma nau lusitana, como o próprio nome obviamente indica. O corpo dos cnidários tem simetria radial, sem esqueleto e sistema nervoso central, mas há nervos periféricos fundamentais para orientação e detecção de odores e luz. Cada tentáculo da água-viva é coberto por milhares de células chamadas cnidoblastos, que abrigam nematócitos que possuem os filamentos urticantes. Quando uma água-viva encontra outro objeto, a pressão interna do nematócito faz com que os filamentos se desenrolem liberando o veneno.

O grau de dor e a reação a uma fisgada de água-viva podem depender das espécies. Os sintomas locais são sensação de ferroada, com aumento progressivo da dor, vermelhidão, coceira e aparecimento de pápulas ou vesículas. Há sintomas gerais como espasmo muscular, náusea e diarréia.

O tratamento consiste em:

1. imobilizar o membro afetado;
2. inativar os nematócitos com vinagre ou ácido acético por dez minutos;
3. não utilizar água fresca, álcool ou água sanitária porque aumentam a liberação de veneno pelo nematócito;
4. não esfregue a área atingida - simplesmente tente retirar os tentáculos;
5. passe creme de barbear e cuidadosamente passe a lâmina de barbear sobre a área atingida para retirar os nematócitos;
6. cremes com corticóides ou anestésicos podem ser aplicados depois da limpeza para alívio da dor.

Tratamento alternativo:

1. na ausência de vinagre, lave com água do mar colhida em distância considerável do acidente para evitar que haja mais tentáculos na água;
2. jogue areia fina, talco ou farinha na lesão com a parte cega de um faca.

Prevenção

Recentemente, um produto, Safe Sea (Nidaria Technology Ltd, Jordan Valley, Israel), mostrou-se efetivo na proteção de mergulhadores. Trata-se de produto ainda não aprovado no Brasil e, obviamente, não se recomenda a banhistas.

 

Água-vivas
Imagem cedida Kevin Connors /MorgueFile