As abelhas não existiam no continente americano. No início do Império foram introduzidas no sul do país, abelhas de origem alemã (subespécie mellifera) seguida pelas abelhas italianas (subespecie ligustica). Essas duas subespécies foram levadas principalmente ao sul do Brasil. O objetivo era o de constituir apiários para extração do mel. No entanto, a produção de mel foi sempre baixa. A solução proposta nos anos 50 foi trazer subespécias da Apis mellifera (subespécie scutellata) da África, mais adequada às condições climáticas do país. Em 1957 quase 30 enxames (e suas rainhas) fugiram do apiário em Rio Claro, São Paulo e, se misturaram com as abelhas de origem européia já existentes, criando as assim chamadas e temidas “abelhas africanizadas”. Essas abelhas dispersaram-se por toda América do Sul, e posteriormente, para a América Central e do Norte. No início dos anos 90 os primeiros enxames chegaram nos Estados Unidos.
A freqüência de deslocamento das abelhas é decorrente do clima. Quando o clima tende a ficar quente e seco, elas chegam a avançar 500 km por ano. O avanço é mais lento em clima frio e úmido, onde a velocidade de expansão é de 150 km/ano. As abelhas também não apresentam nenhuma dificuldade em se adaptar ao meio urbano.
Um equívoco é considerar as abelhas africanizadas como sendo mais agressivas que a européias. Abelhas não são agressivas, simplesmente defendem o seu habitat. Por isso, há sempre a recomendação de não mexer em enxames. Nas cidades é obrigatório chamar os centros de zoonoses.
O professor Delsio Natal, da Universidade de São Paulo, estudou a “remoção de colônias” (abelhas instaladas no local, com presença de favos de mel e de cria) e de "enxames viajantes" (aglomerado de abelhas envolvendo a rainha e que pousa nos mais diversos locais até encontrar abrigo adequado onde futuramente é instalada a colônia definitiva) realizadas pelo Centro de Controle de Zoonoses do Município de São Paulo entre 1994 e 1997.
Nesse período dobrou o número solicitações de remoção de colônias e enxames viajantes. Quase um terço da colônias estavam em forros de casas e a mesma proporção do enxames viajantes em árvores. As solicitações coincidiram mais com o período de dias quentes.
O estado de São Paulo apresentou mais de um quarto das ocorrências de acidentes por abelhas em 2006. Depois, os acidentes foram mais notificados em Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná. Ou seja, há um predomínio de casos nessa região. A distribuição durante os meses do ano (figura 2) é muito semelhante a dos demais acidentes por animais peçonhentos: entre outubro e abril, com queda importante em junho e julho. O motivo principal é o contato maior do homem com ambientes ao ar livre mais propícios ao ataque por abelhas. Ou seja, a maior parte dos acidentes acontecem na primavera, verão e outono diminuindo nos meses frios.
Para cada dois homens vítimas de ataque de abelha há uma mulher. A faixa etária mais atingida é a entre 20 e 39 anos. (figura 3)
Dos acidentes descritos em 2006, 86% foram considerados leves, 13% de gravidade moderada e, 1% graves. O resultado final é cura total em 99% dos casos, com seqüela em 0,6% e óbito em 0,3% dos casos.