A reação alérgica ao ataque de abelha depende se a vítima é propensa ou não ao veneno. Se ela for sensibilizada aos antígenos de abelha ocorrerá um quadro alérgico típico que poderá ser leve até chegar ao choque anafilático, mesmo com um número pequeno de picadas. Cada ferroada introduz 300 microgramas de veneno, mais do que o suficiente para desencadear a reação alérgica. Outra forma de apresentação são os ataques de enxame. A equipe do Hospital Vital Brasil do Instituto Butantan avaliou cinco pacientes que estavam em unidade de terapia intensiva. A quantidade de ferroadas variou entre duzentas e mil! Acredita-se que 150 ferroadas são letais a uma criança e, acima de mil para um adulto, porém há relato de óbito com menos de 50 ferroadas. Nesses casos, mesmo que a pessoa não seja alérgica, a morte ocorre por envenenamento.
O veneno da abelha é constituído por várias substâncias, três quartos delas são a fosfolipase A2 e a melitina. A fosfolipase A2 é o componente alergênico principal e atua também no processo inflamatório, provocando espasmos musculares, insuficiência respiratória e hipotensão. A melitina induz instabilidade da membrana dos glóbulos vermelhos produzindo um quadro grave de hemólise que lesa os rins. As abelhas africanizadas têm menos melitina e mais fosfolipase. Mas, há variação entre os componentes dos venenos dentro de cada uma das subespécies de acordo com colônia estudada.
Reação local: dor intensa, inchaço e edema na região da picada que dura poucas horas. Se ocorre em lábio ou pálpebra há aumento de volume desproporcional por serem regiões mais sensíveis. Quando você estiver em ambientes abertos tomando refrigerante em copos ou latas, verifique sempre se não caiu uma abelha dentro da bebida. É uma causa freqüente de acidentes com abelha.
Reação alérgica generalizada: ocorre em pessoas que já sofreram picadas anteriores e, estão sensibilizadas ao alérgeno da abelha. Basta uma ferroada para desenvolver um quadro clínico dramático. Acredita-se que há reação alérgica entre 0,3% a 3% das ferroadas.
Esse é o grande problema das picadas de abelhas e outros insetos: não há sinal de alerta. Metade dos casos ocorrem em pessoas com história de alergia, mas a outra metade em pessoas sem nenhuma história de hipersensibilidade. Em crianças há reações sistêmicas menos graves, com urticárias que podem ser facilmente controladas no atendimento médico.
Reação tóxica: costuma ser grave e decorrente de centenas de ferroadas. Os primeiros sintomas são náuseas, vômitos, febre e convulsão. Não há quase prurido por que a sensação geral é mais intensa. Há destruição de parte da musculatura esquelética e de glóbulos vermelhos levando à insuficiência renal. O tratamento deve ser feito em unidade de tratamento intensivo.
Reação tardia: em raros casos há sintomas que aparecem uma semana depois em decorrência de reação imunológica – a doença do soro – com aparecimento de mal-estar, febre, aumento de gânglios seguido ou não de urticária.
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