Na ultima seção, vimos que uma agência alfandegária de um país regula e monitora as importações. A importação é uma coisa estranha porque para alguns produtos o comércio é regulado somente pelas leis da oferta e procura, enquanto que para outros ele é regulado pelo governo. Na maioria dos casos, se a pessoa realmente quer o produto importado porque não consegue comprá-lo no mercado doméstico, alguém importará essa mercadoria para atender à procura. Se a procura é alta, o importador pode colocar um preço que cubra qualquer imposto de importação. As pessoas obtêm o que querem, o governo fica com o seu pedaço do bolo e todo mundo fica feliz.
![]() Foto cedida pelo U.S. Customs Service, fotógrafo James R. Tourtellotte Neste carro cruzando a fronteira do México para os EUA, os inspetores acharam 40 quilos de maconha |
Em alguns casos, pode existir uma grande procura por algum produto que o governo decida que não deve ser trazido para dentro do país. O exemplo mais claro é o caso das drogas ilícitas. Nos EUA existe uma grande procura por cocaína, mas a oferta é muito pequena no mercado. Se alguém pudesse importar a cocaína da América do Sul onde a oferta é grande, teria um lucro substancial, mas a cocaína é ilegal nos EUA porque o governo a classificou como uma substância prejudicial à saúde e as punições por tentar importá-la são severas. Sem levar isso em consideração, a procura é grande o bastante para que as pessoas tentem contrabandear cocaína para os EUA.
Em muitos países, deter os traficantes de drogas é uma das prioridades do governo. Para isso, os agentes alfandegários podem usar uma esquadra de barcos, aviões e patrulhas de fronteira. A maioria dos países mantém um certo número de agências de patrulhamento de fronteiras que trabalham em conjunto e separadamente para controlar quem e quais produtos entram e saem do país. Nos EUA, por exemplo, o serviço alfandegário, o DEA (Agência de Combate às Drogas - site em inglês), a Guarda Costeira (site em inglês) e o Serviço de Naturalização e Imigração teriam interesse em algum grupo de traficantes estrangeiros tentando entrar no país ilegalmente com um carregamento de drogas. Para fazer a apreensão e processar os traficantes, as diferentes agências teriam de trabalhar em conjunto.
![]() Foto cedida pelo U.S. Customs Service, fotógrafo James R. Tourtellotte Agentes alfandegários dos EUA em um helicóptero Blackhawk voando sobre um barco de traficantes. A enorme pressão do ar gerada pelas pás do helicóptero convence os traficantes a parar. |
O U.S. Customs Service usa aviões com equipamento de radar de alta tecnologia para patrulhar a costa. Os técnicos no avião encontram prováveis contrabandistas e transmitem sua localização como também a de qualquer unidade móvel da alfândega para uma central. Dessa central os agentes alfandegários se comunicam com as agências regionais para coordenar a prisão dos contrabandistas.
![]() Foto cedida pelo U.S. Customs Service, fotógrafo James R. Tourtellotte Um avião radar P3 patrulha a costa dos EUA. Quando a tripulação do avião detecta prováveis contrabandistas a localização é transmitida para a central da agência alfandegária. |
Quando recebem o alerta, os agentes alfandegários vão até o local para a captura dos suspeitos. Quando os contrabandistas estão tentando entrar no país com um avião, a central disponibiliza um pequeno avião a jato e um helicóptero Blackhawk. A tripulação do avião faz a localização, mas voa a uma certa distância. O helicóptero então se posiciona abaixo da aeronave dos contrabandistas. Na maior parte do tempo, eles não podem ver o helicóptero nesta posição, então não notam que estão sendo perseguidos até que pousem e um esquadrão de agentes em terra os prenda.
Se os contrabandistas estão tentando entrar no país com um barco, a perseguição pode ser ainda mais desgastante. A tentativa geralmemte é feita à noite, com barcos que alcançam a velocidade de 96 a 115 km/h. Os agentes alfandegários, usando armas e lanchas velozes, perseguem os contrabandistas, ou "bad guys" como também são chamados, que rendem-se assim que percebem os agentes. Quando eles param, os agentes pulam para dentro do barco e os prendem junto com a mercadoria, que é levada como evidência.
![]() Foto cedida pelo U.S. Customs Service, fotógrafo James R. Tourtellotte Lanchas velozes do U.S. Customs Service patrulham a costa do sul da Flórida, que é um local conhecido de entrada de contrabandistas |
Não são todos os contrabandistas que tentam entrar ilegalmente no país. Muitos tentam passar pela fronteira na esperança de que os agentes não inspecionem a bagagem. Mas os agentes experientes já viram de tudo: drogas escondidas em vidros de xampu, em alto-falantes, em geladeiras portáteis presas embaixo da roupa ou até mesmo dentro do estômago. Os agentes não conseguem evitar totalmente essa atividade, mas conseguem capturar um número suficiente de contrabandistas para desencorajar outros. Para detê-los, os agentes dependem da combinação da sua experiência e de equipamentos sofisticados.
Em poucos aeroportos, a alfândega usa máquinas de raios-X do tamanho de um quarto que são ajustadas para examinar as roupas à procura de saliências misteriosas. Na fronteira principal entre o México e os EUA, os agentes alfandegários usam uma máquina de raio X grande o bastante para escanear carros e caminhões. Alguns agentes também estão equipados com detectores portáteis que analisam as partículas no ar em volta do pacote ou da bagagem. Usando esses detectores sensíveis, os agentes podem rapidamente determinar se existem explosivos ou drogas.
![]() Foto cedida pelo U.S. Customs Service, fotógrafo James R. Tourtellotte Os inspetores alfandegários usam máquinas enormes de raio-X para procurar por contrabando dentro de um caminhão |
São usados também cães farejadores de bombas e de drogas. Esses cães passam por um intenso processo de treinamento que os ensina a identificar e localizar odores específicos. Nos aeroportos, os cães farejam a bagagem dos passageiros e, algumas vezes, os próprios passageiros.
![]() Foto cedida pelo U.S. Customs Service, fotógrafo James R. Tourtellotte Os inspetores alfandegários usam cães treinados para farejar drogas e outros contrabandos |
Além disso, os agentes podem levar os cães a bordo das aeronaves depois que os passageiros saem. Se o passageiro estava carregando drogas no seu corpo, os cães talvez sintam o odor no assento. Os agentes, então, descobrem quem estava sentado lá e o detém para uma inspeção completa.
![]() Foto cedida pelo U.S. Customs Service, fotógrafo James R. Tourtellotte e Todd Reeves As pessoas tentam qualquer coisa para contrabandear. Essas fotos mostram uma arma escondida em uma Bíblia, maconha escondida em uma bateria de carro, dinheiro escondido em um vidro de xampu e em um ursinho de pelúcia. |
As drogas não são os únicos produtos que as pessoas tentam contrabandear, em vários países existem muitas mercadorias que são consideradas contrabando. Algumas vezes, as pessoas tentam importar os produtos sem nem mesmo perceber que estão desobedecendo a lei. Na próxima seção, veremos outros tipos de produtos que são retidos pela alfândega.