Um naturalista francês chamado Henri Mouhot, em 1860, encontrou por acaso uma cidade de pedras escondida na densa floresta do Camboja. Os nativos disseram que ela havia sido construída há muito tempo por uma raça extinta de deuses gigantes. "Mais grandioso do que qualquer coisa criada pela Grécia ou por Roma", disse Mouhot sobre a cidade perdida de Angkor, com seus mais de 100 templos e extraordinários entalhes.
![]() Photodisc O templo do século 12 foi erguido no mesmo período que a |
O magnifíco templo, e provavelmente o maior monumento religioso já construído, possui 500 acres. Construído no início do século 12 por Suryavarman II, é considerado o auge da arquitetura e arte clássica do khmer. É dedicado ao deus hindu Vishnu, o preservador - assim como a sua encarnação humana em Suryavarman II, que era considerado um deus-rei.
Angkor Wat consiste em uma área retangular que serve como uma moldura para o "templo, que lembra uma montanha", desenhado com um significado alegórico. O alto santuário central corresponde simbolicamente ao Monte Meru, a montanha sagrada onde os deuses hindus viviam, no centro do universo. Os cinco picos do Monte Meru são representados pelas cinco torres do templo. As paredes que o cercam simbolizam as montanhas que o margeiam e o fosso é o oceano distante. O acesso para as torres centrais é realizado através de 12 escadas que sugerem a íngreme escalada ao Monte Meru.
As torres foram desenhadas para que se parecessem com botões de flores de lótus brotando e que, em certo momento, foram cobertas com ouro. Por todo complexo do templo, entalhes e esculturas retratam deuses, cenas de batalhas, dançarinas, eventos da mitologia hindu e outras imagens. O trabalho em arenito, um material realmente mais leve, facilitou o projeto de construção para os 5 mil artesãos e 50 mil operários que trabalharam na construção do templo ao longo de três décadas.
Ao criar uma ligação mística com a eterna movimentação das estrelas que giravam ao redor do templo, os edifícios e estátuas de Angkor Wat se alinhavam com os equinócios e solstícios.
As paredes da galeria externa são cobertas por entalhes em baixo-relevo que medem mais de 1,80 m de altura e são tidos como os mais longos baixos-relevos contínuos do mundo. As cenas dos entallhes contam as histórias dos épicos da religião hindu - o Ramayana e o Mahabharata - e narra as aventuras de Vishnu. Supostamente, o bando de apsarás, ou dançarinas celestiais, que adorna o templo foi entalhado usando como modelos nuas o próprio harém do rei. Os exóticos penteados e jóias utilizados pelas mulheres ilustram como era a moda da região há nove séculos.
Angkor Wat e a cidade ao seu redor prosperaram até 1431, quando invasores de Siam (atual Tailândia) chegaram. Bastante prejudicada, Angkor foi logo abandonada. Mas a floresta provou ser uma invasora ainda mais destrutiva. Viderias, trepadeiras e furiosas figueiras sufocaram a construção e derrubaram, em pedaços, as paredes de alvenaria, engolindo a cidade perdida.
Felizmente, Angkor Wat agüentou mais do que outras estruturas, pois monges budistas chegaram com os invasores siameses e ocuparam o templo. Na alta torre central, antes o local sagrado do deus hindu Shiva, os monges colocaram uma enorme figura de Buda.
Após a redescoberta de Angkor, em meados de 1800, arqueologistas franceses e cambojanos restauraram muitas ruínas. Mas o trabalho foi interrompido nos anos 70, quando Angkor foi invadido por guerrilheiros do Khmer Vermelho, que saquearam templos, decapitaram esculturas e venderam a pilhagem no mercado negro a fim de arrecadarem dinheiro para a guerra. No início dos anos 90, ladrões proliferaram nos templos, arrancando as cabeças das famosas apsarás e causando enormes estragos. Negociadores ilegais de artes adquiriram muitos dos tesouros de Angkor e algumas esculturas reapareceram em casas de leilões ocidentais e coleções particulares.
SOBRE O AUTOR: Jerry Camarillo Dunn, Jr., trabalhou com a National Geographic Society por mais de 20 anos, começando como editor, escritor e colunista na revista Traveler, e depois escrevendo guias de viagem. Seu último trabalho na National Geographic Traveler:



