A construção de Borobudur - a maior stupa, ou santuário budista do mundo - exigiu milhares de trabalhadores e boa parte de um século. Para sua construção, trabalhadores do campo formaram uma estrutura de pedras sem cimento sobre uma pequena montanha em Java, Indonésia. Esse feito os fez talhar e transportar de um a dois milhões de pedras, sem as técnicas nem ferramentas da engenharia moderna: somente cordas, martelos, carrinhos de mão e a força dos músculos. estavam disponíveis

 

Vista de cima, Borobudur lembra uma mandala, ou um diagrama espiritual do universo.
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Vista de cima, Borobudur lembra uma mandala, ou um diagrama espiritual do universo

Ainda mais incrível do que suas dimensões é a delicadeza das esculturas de Borobudur, que foram chamadas de "um maravilhoso rosário budista feito de pedras". As esculturas são feitas num caminho ascendente de aproximadamente 5 km, que representa a jornada do espírito humano em busca da perfeição espiritual.

Na base, uma série de baixos-relevos ilustra a Esfera do Desejo, com os prazeres e castigos terrenos. Essa base agora está quase coberta por terra e pedras. Indo quatro níveis para cima no caminho processional, o peregrino encontra um mundo mais elevado espiritualmente, a Esfera da Forma, com entalhes de cenas da vida do príncipe Siddhartha conforme ele progredia para o desenvolvimento e esclarecimento como Gautama Buddha.

Os mais de 1.200 painéis em baixo-relevo dos cinco níveis também ilustram cenas da vida da Indonésia de mais de mil anos atrás: vibrante, com fazendeiros e lutadores, músicos e dançarinas, navios, elefantes e reis. Também aparecem mais de 400 Budas pelo caminho.

Os próximos níveis são três terraços circulares, representando a Esfera Amorfa, em que 72 stupas sustentam estátuas de Buda. Acredita-se que chegar na parte aberta e tocar numa das imagens traga boa sorte. Os últimos passos do peregrino quando ele vem do mundo material para o superior encontram uma grande stupa central. Esse pico representa a libertação para a paz superior, um estado inexplicável de sabedoria e compaixão. Agora o peregrino alcançou o centro do universo, o centro de si próprio - ou talvez eles sejam a mesma coisa.

 


SOBRE O AUTOR:

Jerry Camarillo Dunn, Jr., trabalhou com a National Geographic Society por mais de 20 anos, começando como editor, escritor e colunista na revista Traveler e depois escrevendo guias de viagem. Seu último trabalho na National Geographic Traveler: San Francisco. Dunn’s Smithsonian Guide to Historic America: The Rocky Mountain States vendeu mais de 100 mil cópias. Seus artigos de viagem aparecem em jornais como Chicago Tribune e The Boston Globe. As histórias de Jerry Dunn ganharam três Prêmios Lowell Thomas da Sociedade dos Escritores de Viagem Norte-americanos, a mais alta honra na área. Ele também escreveu e apresentou um episódio piloto para um programa de viagem produzido pela WGBH, uma estação de televisão pública deBoston.