Os principais pontos turísticos

Autor: 
Gisele Ribeiro

A China está situada na porção oriental do continente asiático, tendo montanhas a oeste e vales a leste. Com 9,6 milhões de km2 de área, suas terras compreendem 50º de latitude e mais de 62º de longitude, fazendo fronteira com países como Coréia, Rússia, Afeganistão, Índia, Paquistão, Curdistão, Nepal, Butão, Burma, Laos e Vietnã. Seu território abrange desde a zona fria temperada até o cinturão equatorial, sendo recoberto por florestas, savanas, planícies e colinas. A China possui um dos desertos mais áridos do mundo (Gobi) e uma das melhores terras aráveis também.

localização geográfica da china

O país tem 5.400 ilhas, sendo Taiwan a maior delas, e Hainan, a segunda. Das 19 montanhas com mais de 7.000 metros de altura no mundo, sete estão localizadas na China. O planalto do Tibet, conhecido como o terraço do mundo, abarca muitas das montanhas mais altas. O Himalaia tem o pico mais alto do mundo - o Monte Everest, que fica 8.848 metros acima do nível do mar. O Everest, por sinal, também pertence ao Nepal. E é do lado nepalês que os alpinistas se aventuram a escalá-lo, já que o lado chinês é fechado ao público.

Essas características climáticas, geográficas e culturais fazem da China um país peculiar, capaz de agradar a qualquer tipo de turista: dos praticantes do turismo de aventura e ecológico ao amante do burburinho das grandes metrópoles. Pequim, a capital da China e sede dos Jogos Olímpicos de 2008, por exemplo, é uma das maiores cidades do mundo, com mais de 14 milhões de habitantes. É um microcosmo da China moderna e de suas contradições. De um lado os prédios modernos. De outro, as casas baixas de arquitetura milenar tradicional.

Pequim panorâmica
Xin Zhu
Vista panorâmica de Pequim, onde serão realizados
os Jogos Olímpicos de 2008

Por isso, há muito o que fazer e ver na China: de montanhas nevadas e praias a vilarejos tradicionais e grandes cidades, passando por palácios e ruínas de construções milenares, templos religiosos e milagres da arquitetura. Antes de embarcar na viagem, no entanto, é bom planejá-la corretamente. Dependendo do número de dias que pretende passar lá, vale a pena debruçar-se sobre um guia turístico do país e traçar um roteiro que permita aproveitar o que há de melhor do território chinês. A seguir, você conhecerá um pouco dos principais atrativos da China:

Norte

Seis das 23 províncias chinesas mais a capital Pequim estão no norte da China, região marcada pelo Rio Amarelo, pela Grande Muralha. Por ter abrigado capitais dinásticas, a região é rica em cidades históricas e outras atrações:

  • Rio Amarelo: é o segundo maior rio chinês, e ganhou esse nome devido ao sedimento que ele recolhe em seu trajeto pelo planalto Loess. Os sedimentos elevam o leito do rio, que constantemente, inunda as regiões circundantes.
  • Pequim: a capital do país só ganhou status de capital imperial no final do século 15. É uma cidade de avenidas largas e retas e ruelas estreitas e sinuosas construídas em torno da Cidade Proibida, o antigo núcleo palaciano. Ao lado de templos e palácios estão prédios modernos e ruas comerciais. Museus, galerias e universidades devem fazer parte do passeio cultural da cidade, ao lado do Templo do Céu, complexo de templos e modelo de equilíbrio arquitetônico chinês. Pequim dispõe de boas ligações por avião, trem e ônibus com a região que está à sua volta. Há vôos diários para Xi'an, Luoyang, Qingdao, Kaifeng e Zhengzhou. Trens expressos ligam Pequim diretamente a todas as grandes cidades da região, e destas é possível chegar às menores em trens mais lentos. Ônibus particulares fazem as rotas turísticas mais procuradas (leia mais sobre Pequim no nosso artigo Como funciona Pequim).
  • A Grande Muralha: fortificação de defesa construída em uma área antes vulnerável aos ataques da Mongólia e da antiga Manchuria, a muralha tem 5.000 km e pode ser avistada da Lua.

muralha da china
Cat London
Muralha da China: construção vista da Lua

  • Os Guerreiros de Terracota, de Xi'an: exército de esculturas de barro em tamanho natural criado para guardar o túmulo do imperador Qin Shi Huangdi, que unificou a China. O exército fica na província de Shaanxi, que também abriga Hua Shan, um dos cinco picos taoístas da China, com 2.610 m de altitude. Hua Shan se caracteriza por subidas íngremes, precipícios e vistas inesquecíveis.

Exército de Terracota
Arjen Briene
Guerreiros do Xi'an: exército de terracota que protegia
o túmulo do imperador Qin

  • Hebei, Tianjin e Shanxi: essas três províncias vizinhas costumam ser escaldantes no verão e geladas no inverno, mas são refrescadas pela brisa do mar vinda da litorânea Tianjin, ex-posto de comércio com exterior que preserva a arquitetura européia. Nessa região estão: Chendge, refúgio montanhoso que abriga oito templos religiosos, entre os quais Puning Shi, que tem uma estátua de 22 metros da deusa budista Guanyin; as Cavernas de Yungang, um conjunto de 51 mil estátuas escavadas por budistas em rochedos de arenito; e o Xuankong Si, Templo Suspenso, apoiado em finos pilares de madeira nos rochedos de um cânion com mais de 2 mil metros de altura.
  • Henan e Shandong: a província é um dos sítios arqueológicos da China e abriga achados neolíticos. A região abrigou alguns dos primeiros assentamentos sociais do país. Entre as atrações da região estão a montanha sagrada taoísta de Song Shan, o Templo de Confúcio, o mais famoso filósofo chinês, Tai Shan, a Montanha Serena, Qingdao, a cidade litorânea que fabrica a cerveja nacional, Luoyang, cidade que abrigou a primeira universidade do país, em 29 A.C., e as Cavernas de Longmen, uma coleção fantástica de estátuas religiosas gigantescas feitas pelos budistas consideradas Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Centro

Na região central da China encontram-se Xangai as províncias de Jiangsu, Anhui, Zhejiang, Jiangxi, Hunan e Hubei, que abrigam, entre atrações históricas e belezas naturais, a cidade de Nanquim, o Grande Canal, e a Barragem das Três Gargantas, a maior represa do mundo. O que ver:

  • Xangai: considerada o retrato da nova China, o município autônomo de Xangai é a maior cidade do país (são 13 milhões de habitantes), e a mais moderna e dinâmica também. Xangai envia e recebe vôos do mundo todo. A locomoção dentro da cidade pode ser feita por metrô, táxi (numerosos e baratos) e ônibus (muitos, mas apinhados de gente). Como trânsito de Xangai é caótico e congestionado, recomenda-se usar o metrô para chegar às principais atrações turísticas locais, como o Bund, o centro comercial que já foi o coração da cidade colonial; Nanjing Lu, a principal rua de compras de Xangai; Pudong, que abriga os edifícios comerciais mais altos do mundo; e o Museu de Xangai, com seu acervo de mais de 120 mil peças.

xangai
Loic Bernard
Vista panorâmica de Xangai, segunda maior cidade da China
  • O Grande Canal, que levou mil anos para ser construído, tem 1.600 km de extensão e liga os rios Yang-tsé-kiang e Amarelo. Antes via de transporte para a distribuição de alimentos para todo o império chinês, o maior canal artificial do mundo é é usado por barcos que levam os turistas para visitar as atrações em suas margens.
  • Nanquim: esta cidade atraente, às margens do Yang-tsé-kiang, é repleta de lagos e está cercada por um muro medieval de 12 metros de altura e 33 km de extensão. Ela foi capital da China até 1946, quando o governo chinês mudou a capital para Pequim. É uma cidade para ser visitada às caminhadas e, quando necessário, com o bom e barato transporte público local. Tem bons restaurantes e vida noturna agitada, mas sua principal atração turística é a Porta Zhonghua, uma construção no sul da cidade com três cidades, pontes levadiças, guaritas e estátuas de soldados que era elemento de defesa do imperador. Diz a lenda que ninguém tentou invadir Nanquim pela Porta Zhonghua.
  • Huang Shan: é a mais bela cadeia de montanhas da China, com picos cobertos de nuvens e caminhos sinuosos nas escarpas. Há dois percursos para explorar o Huang Shan - o leste e o oeste. No primeiro, o visitante leva 3 horas para percorrer seus 8 km. No segundo, os 15 km consomem o dobro do tempo. Um dos pontos altos do percurso é o Aoyu Bei, ou Espinha de Carpa, no acesso a Tiandu Feng. Trata-se de um arco saliente e estreito, com 9 m de largura e quedas abruptas dos dois lados.
  • Wulingyuan (Zhangjiajie): reserva panorâmica de 392 km2 com relevo em carste e "pináculos que despontam de uma densa vegetação" [Guia Visual da China]. Contém mais de 500 espécies de árvores, algumas das quais acreditava-se extintas. Os pontos altos da reserva são o mirante Huang Shi Zhai (é preciso ter boas pernas para subir os 3.878 degraus que levam até lá), a Xianren Qiao, a Ponte dos Imortais, e Huanglong Dong, a Caverna do Dragão Amarelo que tem um rio subterrâneo que pode ser percorrido de barco.

Sul

Na região sul da China, de forte tradição marítima, encontram-se as províncias de Fujian, Guangdong e Hainan, além de Macau, ex-colônia portuguesa, e Hong Kong, ex-possessão britânica. É uma região moderna e rica, cujo desenvolvimento foi estimulado pelo surgimento das Zonas Econômicas Especiais. Os principais aeroportos estão em Hong Kong, que também é o ponto de partida para as outras províncias e cidades da região. Trens e uma rede de ônibus confortáveis ligam a cidade à maior parte da região sul. O que ver:

  • Guangzhou: capital de Guangdong, é conhecida como Cantão. Era um porto importante no século 19, e por isso acabou se transformando numa cidade dinâmica e rica, com atrações como o túmulo de 2 mil anos Zhao Mao e os Jardins Palacianos de Nan Yue. O túmulo de Zhao Mao contém itens funerários feitos de ouro e pedras preciosas, além de um traje funerário feito de jade.
  • Hong Kong: possessão britânica até 1997, a ilha de Hong Kong é uma cidade cosmopolita, repleta de arranha-céus, que vibra de dia e de noite, graças ao status de centro financeiro global. O coração da cidade é dividido em dois pelo porto Victoria. As principais atrações culturais (Mosteiro dos 10 Mil Budas, Hong Kong Science Museum, Pico Victoria, Jardins Zoológico e Botânico), locais de compras, bares e restaurantes, e vistas ficam na praia do norte e na ponta sul. A melhor forma de conhecer a ilha é a pé. O trânsito aqui também é caótico, principalmente nas áreas centrais. O sistema de metrô é eficiente: o Mass Transit Railway serve os bairros centrais, e o Kowloon-Canton Railway liga o centro aos Novos Territórios e ao continente. �"nibus, táxis e bondes existem em abundância e são baratos e eficientes. Um serviço de balsa liga Hong Kong ao continente e às ilhas vizinhas.

hong kong e barco
Oktay Ortakcioglu
Barco antigo navega no mar
­da moderna Hong Kong

  • Macau: ex-colônia portuguesa até 1999, a cidade é um paraíso de mansões coloniais e agitados cassinos que, ao lado do turismo, é a principal fonte de recursos da cidade. A ilha, a uma hora de balsa de Hong Kong, é um ótimo local para passar o dia, seja passeando pelo centro velho, seja saboreando a comida local, uma mistura das culinárias chinesa e portuguesa.

Sudoeste

Essa região isolada formada pelas províncias de Yunnan, Guizhou e Guangxi, e Sichuan e Chongqing, concentra algumas das mais belas paisagens da China: a Bacia Vermelha de Sichuan, as gargantas profundas ao longo do Yang-tsé-kiang, as montanhas do planalto tibetano, as florestas tropicais de Xishuangbanna, reservas de pandas-gigantes e trilhas para caminhadas. Chengdu, Chongqing, Kunning, Guiyang, Guilin, Lijiang e Jinghong são as principais cidades e destinos da região. A diversidade étnica da área pode ser vista na cultura e nos estilos de vida tradicionais e nas comunidades das minorias. O que ver:

Reed flute Cave
David Pedre
Caverna formada pela erosão do calcário na região de Guangxi
  • Guangxi: a província é permeada por montanhas carste, relevo que ocorre em terrenos de rocha calcária) e que forma paisagens impressionantes. Também aqui a natureza está praticamente intocada.
  • Yang-tsé-kiang: o rio corta a região e passa por montanhas escarpadas. É possível fazer um cruzeiro pelo rio, apreciando vistas fantásticas e conhecendo a represa das Três Gargantas, e as mini-Três Gargantas, estreitos canais com paredes íngremes formados no entroncamento do Yang-tsé-kiang com seus braços em Qutang Xia, Wu Xia e Xiling Xia.
  • Pandas-gigantes: os animais típicos da China podem ser vistos na reserva Wolong, perto de Chengdu, ou no Centro de Criação de Pandas, a 10 km de Chengdu.

panda gigante
Klaas Lingbeek- van Kranen
Panda gigante na reserva Wolong

  • Emei Shan: a montanha, considerada sagrada por taoístas, budistas e confucionistas, tem 3.099 m de altitude e abriga 10% da diversidade botânica da China, com 3.200 espécies de plantas. Prepare a sola do pé: subir e descer o Emei Shan leva três dias.
  • Dafo, Le Shan: A montanha Lingyun abriga uma das atrações mais impressionantes da China, o Dafo (Grande Buda), uma estátua de 71 metros de altura esculpida em arenito vermelho, em frente a junção dos rios Min, Dadu e Qingyi. O Grande Buda foi construído para proteger os barcos que passavam no local. É patrimônio da Unesco. A Ponte Haoshang liga O Grande Buda aos templos adjacentes, e uma escadaria íngreme permite aos turistas descer até os pés da estátua.

O grande Buda
Valerie Crafter
Dafo, o Grande Buda, tem 71 metros ­de altura
­e é patrimônio da Unesco

  • Floresta de Pedra: os pilares de calcário são a principal atração de Yunnan. São formações espremidas, com 30 metros de altura , que formam uma paisagem do outro mundo entre lagos e caminhos sinuosos. A área estava submersa há 270 milhões de anos. Os pilares vistos hoje foram formados pela erosão por vento e chuva.
  • Garganta do Salto do Tigre: trilha popular de 30 km que segue o curso do rio Jinsha Jiang até uma das gargantas mais profundas da China, com picos que alcançam os 4.000 metros de altitude .
  • Cataratas Detian: conjunto de quedas d'água que divide a China do Vietnã. É possível nadar no amplo poço embaixo das cataratas e pegar uma jangada de bambu até a névoa d'água na base.

Nordeste

As três províncias da região -Liaoning, Jilin e Heilongjiang - formam o coração industrial da China. As grandes cidades têm conexão aérea e ferroviária com Pequim. Pelo nordeste da China passa a ferrovia Transiberiana. Percorrê-la leva sete dias, e a viagem é inesquecível. O que ver:

  • Changbai Shan: considerada pela Unesco Reserva da Biosfera, a área tem fauna e flora muito diversificada. Ali se encontram o tigre siberiano, o ginseng e a única tundra alpina do leste asiático. Destaque para o Lago Celestial (Tian Chi), uma cratera vulcânica localizada na fronteira com a Coréia do Norte. As trilhas da reserva só ficam abertas entre junho e outubro.

Mongólia Interior

A região ocupa um terço do território chinês e é formada por desertos, florestas e campos. As três províncias - Mongólia Interior, Ningxia e Xinjiang - são consideradas regiões autônomas. A região atrai pela beleza selvagem e pelas cidades empoeiradas em oásis nas Rotas da Seda (antigos trajetos comerciais entre a China e o leste europeu). Há aeroportos nas cidades principais, mas o transporte ferro e rodoviário é escasso. O que ver:

  • As 108 Dágabas: o monumento budista foi erguido no meio do deserto de Taklamakan, perto da cidade de Qingtongxia Zhen. As 108 dágabas ocupam 12 fileiras distribuídas em uma formação triangular perfeita, voltada para o rio Amarelo.
  • Maiji Shan: a montanha abriga um dos mais importantes grupos de esculturas budistas esculpidas no lado escarpado. São quase 200 cavernas contendo obras budistas.
  • Cavernas de Dunhuang: esse conjunto de cavernas protegidas pelo isolamento da área reúne pinturas e esculturas budistas.
  • Mausoléu de Aba Khoja: erguido no século 17, a sepultura da família de Aba Khoja, missionário muçulmano, é uma mostra da arquitetura islâmica na China, com decorações geométricas, minaretes e arabescos.

Tibete

Limitado por três das maiores cadeias montanhosas do mundo - Himalaia, Karakoram e Kunlun, o planalto tibetano, ou Teto do Mundo, foi aberto aos visitantes estrangeiros há pouco tempo. A única cidade grande do planalto é Lhasa, o núcleo do budismo tibetano, com o palácio dos dalai-lamas e grandes mosteiros. Ali também se encontra o Everest, objetivo de alpinistas e aventureiros. O ar rarefeito do Tibete intensifica a luz solar, o que exige do viajante cuidado extra: leve protetor solar. O que ver:

cavernas cartse
weareadventurers
Placa indica direção do Monte Everest
  • Lhasa: a capital do Tibet é dominada pelo Palácio de Potala, erguido no monte mais alto da cidade, o Marpo. Ex-residência do líder tibetano dalai-lama, tem três andares e mais de 1.000 aposentos. Eventos políticos e cerimônias religiosas acontecem no local.
  • Campo Base do Everest: nada mais do que um ajuntamento de barracas com uma casa de chá, o Campo Base é um passeio que vale pela vista maravilhosa do Everest e pelo trajeto até lá. O terreno é quase lunar, e se o viajante não estiver aclimatado, é melhor não inventar de dormir na base.
  • Lago Namtso: com cerca de 70 km de extensão e 30 km de largura, é o segundo maior lago salgado da China, que congela entre novembro e maio.

lago namtso
­Jason Maehl­
Ngozumba Tsho, quinto maior lago da China­

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