Como viajar para o exterior

Ainda que o Brasil tenha lugares exuberantes e um vasto território para ser conhecido, o turismo internacional tem ficado cada vez mais acessível para os cidadãos do país. Entre 2002 e 2011, o número de viagens ao exterior saltou de 2,2 milhões para 7,5 milhões segundo números levantados pela Comissão Canadense de Turismo. Para 2015, a estimativa é de que brasileiros realizem 11 milhões de visitas a países estrangeiros.


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De acordo com números da OMT (Organização Mundial de Turismo), somente no primeiro trimestre de 2013, o crescimento do total de brasileiros viajando para o exterior foi de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Algo expressivo se comparado com o crescimento médio do turismo em todo o mundo nos primeiros seis meses do ano passado, que foi de apenas 5%.

A justificativa para esse crescimento significativo do número de viagens internacionais é o aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas, que conseguem bancar os custos do passeio, mesmo que tenham que fazê-lo através de financiamentos. Os destinos mais populares são Estados Unidos, Argentina, França, Uruguai e Espanha.

Muitos dos turistas encaram as viagens para fora do território nacional pela primeira vez e, por isso, precisam tomar algumas medidas diferentes de um passeio nacional para sua estreia em território estrangeiro. Veja a seguir um guia com 20 dicas de como planejar sua aventura no exterior.

1) Documentação

Para grande maioria das viagens a países estrangeiros será necessário utilizar o passaporte. O documento só não é exigido na Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru e Chile, onde é possível entrar apenas com a Carteira de Identidade (RG). Porém, é preciso levar o original. Cópias não são aceitas.

Para retirar o passaporte, é preciso recorrer à Polícia Federal (http://www.dpf.gov.br/). Quem tem um passaporte que já está expirado, é obrigado a solicitar um novo. Não são feitas renovações. Quem possui o documento, mas que está perto da data de vencimento, talvez também tenha que fazê-lo uma vez que muitos países para conceder o visto de entrada exigem que o passaporte tenha validade mínima de seis meses.

A solicitação pode ser feita através da Internet e informações sobre o procedimento estão disponíveis por meio do telefone 194. Faz parte do processo de concessão do documento o comparecimento a uma unidade da Polícia Federal em dia e horário previamente agendados.

2) Visto

Alguns países exigem mais que o documento de identificação para permitir que um turista entre em seu território. É preciso, nestes casos, solicitar o visto de entrada. Os Estados Unidos, principal destino dos turistas brasileiros, por exemplo, estão entre eles.

Não há uma padronização para solicitação desse documento. Cada nação tem seus próprios procedimentos. Na página do Itamaraty há uma relação com endereços dos países que têm representação no Brasil onde será possível obter as informações necessárias sobre as exigências feitas por cada um deles para entrada de turistas: www.itamaraty.gov.br/cerimonial/corpo-diplomatico/lista.


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3) Saúde

Isso vai depender também do país de destino. Alguns exigem que seja feito um seguro saúde. Outros, entre os requerimentos necessários para entrada, solicitam a apresentação do Certificado Internacional de Vacinação ou então que seja tomada especificamente a vacina contra a febre a amarela com um período determinado de antecedência.

O Cartão Nacional de Vacinação acompanhado de um documento com foto (passaporte ou carteira de identidade) é suficiente na maioria das vezes. O Certificado Internacional de Vacinação pode ser adquirido nos Centros de Orientação para Saúde do Viajante da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que fornece mais informações para os viajantes que acessam a seguinte página de seu site: http://www.anvisa.gov.br/viajante/.

4) Fuso horário

Verifique a diferença de horário de seu ponto de origem em relação ao local de destino. Afinal, muito provavelmente toda a programação fornecida por sua agência de viagem ou feita por você mesmo estará de acordo com o horário local.

Na hora da verificação, não se esqueça de que tanto o Brasil como muitos países da Europa e os Estados Unidos modificam seus horários para poupar energia. Em inglês, o que se apelidou no Brasil de horário de verão é conhecido por daylight saving time. Existem vários sites na Internet onde é possível obter essas informações. Um dos mais populares é o: http://24timezones.com/hora_certa.php.

5) Multiplique as informações chave

Não se esqueça de fazer cópias de todas as informações importantes como reservas em hotéis (incluindo o endereço dos mesmos), dos seus documentos, da programação dos locais que quer visitar, passagens aéreas, cartões de crédito, receitas médicas, telefones úteis, enfim, tudo que possa precisar durante a viagem. Coloque essas cópias em locais diferentes, naturalmente, para o caso de perda ou, eventualmente, na ocorrência de algum incidente como roubo. Isso diminuirá o dano e facilitará que a viagem seja retomada mais rapidamente.

Outra medida útil é deixar em sua bagagem de mão uma troca de roupa extra. Pode parecer um exagero, mas, infelizmente, extravios de malas acontecem. E, nesse caso, é sempre melhor prevenir que ficar vestindo a mesma roupa por um ou dois dias seguidos até que a empresa aérea localize sua bagagem e a devolva.

6) Pesquise sobre o clima

Antes de arrumar as malas, pesquise sobre o clima na região escolhida para sua viagem. As estações são invertidas no hemisfério norte e sul. Se for verão no Brasil, na Europa e Estados Unidos, a estação é o inverno. Muitos sites oferecem o serviço de previsão do tempo gratuitamente e é possível encontrá-los através dos mecanismos de busca disponíveis na Internet. Um dos mais populares é o Climatempo: http://www.climatempo.com.br/previsao-do-tempo/mundo/.

Mesmo para viagens rumo a um clima quente, não deixe de lado um casaco, mesmo que leve, pois no avião, devido ao ar condicionado, a temperatura geralmente é mais baixa.

7) Kit espera

Sempre se apresente nos aeroportos respeitando os horários estabelecidos e prepare-se para enfrentar longos períodos de espera. Para isso, esteja sempre municiado com livros, revistas, seleção de músicas para aparelhos que possam reproduzir mp3 etc. Enfim, qualquer coisa que seja capaz de distraí-lo por algumas horas. As filas podem ser grandes no check-in, na imigração e na alfândega.


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8) Bagagem de mão

O mundo para os turistas teve uma mudança drástica depois do atentado contra as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Várias medidas de segurança foram tomadas em relação às viagens internacionais. Elas afetaram diretamente o que é possível levar na bagagem de mão.

Objetos cortantes como, por exemplo, canivetes e mesmo as aparentemente inofensivas tesouras de unha são totalmente proibidos. Devem ser despachados na bagagem regular. Medicamentos podem ser levados, mas há necessidade da apresentação da receita médica na hora da inspeção nas cabines de raios-X.

Embalagens com líquidos podem ser levadas, mas apenas as de tamanho pequeno, com 100 ml ou menos. Embalagens maiores, mesmo que contenham quantidades inferiores ao limite de 100 ml, não são permitidas.

Alimentos para consumo próprio ou de crianças podem ser levados, mas apenas para uso durante o voo. As regras de entrada de alimentos de origem vegetal ou animal e o volume de bagagem variam de acordo com o país e a companhia aérea. É preciso verificar antes.

Geralmente, em viagens internacionais, é permitido levar uma mala pequena de até 5 kg dentro do avião e duas outras na bagagem comum com peso de até 32 kg. Há tarifas quando o peso máximo estabelecido é ultrapassado.

9) Viagem com menores de idade

Menores de idade precisam de autorização para viajar para o exterior caso não estejam acompanhados pelos dois pais. Essa permissão pode ser emitida pelo sistema judiciário ou pelo outro genitor que não estiver presente através de escritura pública com reconhecimento de firma. Em alguns aeroportos há representantes da Vara da Infância e Juventude que fazem esse trabalho. Porém, esse serviço não está disponível 24/7. A Polícia Federal disponibiliza um guia específico para viagens de menores brasileiros ao exterior que pode ser baixado no endereço: http://www.dpf.gov.br/servicos/viagens-ao-exterior/3_edicao_manual_menor....

10) Dinheiro

Evite levar apenas dinheiro em espécie. Leve, naturalmente, a moeda do país para onde viaja para despesas correntes. Ela pode ser adquirida em casas de câmbio disponíveis no aeroporto na hora da partida ou mesmo no momento do desembarque.

Mas opte também por sistemas alternativos como cheques de viagem, cartões de crédito, dólares americanos ou euros (que são moedas aceitas mundialmente). Há, inclusive, cartões de crédito pré-pagos que oferecem a opção de serem utilizados como cartões comuns de banco em que o turista pode sacar um valor pré-estabelecido (ele deposita uma quantia antecipadamente em seu país) na moeda dos países que vai visitar.

Leve sempre, em local separado de cartão, o número de atendimento ao cliente para comunicar um possível roubo ou perda o mais rapidamente possível para que o cartão seja bloqueado imediatamente.

11) Gerenciamento de risco

O gerenciamento de risco de uma viagem para o exterior, obviamente, é diferente de um passeio nacional. É preciso optar por agências com maior experiência na hora de fazer a compra do pacote. Verifique os serviços de assistência oferecidos, se guias que falam português estão disponíveis e se pessoas que você conhece já usaram essa empresa e aprovaram o tratamento recebido. Geralmente em uma primeira viagem é melhor ser conservador e deixar para correr riscos maiores nas futuras aventuras.

12) Excursões

Nem sempre comprar antecipadamente um pacote com excursões é a melhor opção, embora isso possa parecer mais seguro à primeira vista. Especialmente em países que têm o turismo como indústria, ao chegar será possível encontrar uma gama maior de opções que a oferecida pela agência de turismo.

As excursões oferecem algumas vantagens para quem é um estreante em solo internacional. As empresas pegam e deixam o turista no hotel e por vezes fornecem guias em português. Porém, têm seus pontos contrários uma vez que engessam a programação e evitam a espontaneidade. Talvez seja o caso de uma solução de meio termo. Um city tour logo no primeiro ou segundo dias para se ambientar com o local, em caso de viagens mais longas, e deixar a programação aberta nos dias subsequentes para escolher os passeios que se apresentarem mais agradáveis.

Um erro bastante comum é querer conhecer locais demais em um espaço de tempo muito curto. No final das contas, deixa-se o país sem saber ao certo por onde passou. Seja seletivo. Qualidade é melhor que quantidade.

13) Passagem aérea

Quanto mais cedo for comprada, provavelmente mais barato o preço será. O intermediário também conta. Passagens adquiridas através de agências, que compram em grande quantidade, costumam sair bem mais baratas que as adquiridas diretamente junto às companhias aéreas. A exceção à regra são os bilhetes conseguidos por meio dos programas de relacionamento.

14) Serviços de apoio ao turista

Em praticamente todos os aeroportos internacionais e principais pontos turísticos no exterior você encontrará escritórios de apoio ao turista. Aproveite-se ao máximo desses postos. Pegue os panfletos, mapas e toda a literatura que é oferecida gratuitamente. Inclusive as propagandas de comércio. Depois, você seleciona o que lhe é útil e joga o resto fora. Só tenha o cuidado de não fazer o uso desse material na rua. Afinal, turistas são sempre um alvo preferencial para golpistas. Deixe para consultar o que adquiriu no hotel e, quando em espaço aberto, aja como se fosse um local, evitando se transformar em um candidato a ser roubado.

15) Guias

As principais cidades do mundo têm guias impressos disponíveis. Porém, comprá-los já não é mais necessário. A rede mundial de computadores oferece atualmente informação muito mais ampla sobre praticamente qualquer lugar do planeta. Pesquise, pesquise, pesquise. Informação nunca é demais e planejamento é essencial.

16) Feriados

Um dos pontos importantes em sua pesquisa é verificar os feriados no local para onde se está viajando. Por vezes, são datas apenas na cidade ou região. E isso pode causar um grande transtorno para sua viagem ao encontrar os locais de passeio fechados ou com funcionamento em horário restrito.

Também verifique o que os agentes de turismo costumam chamar de alta temporada e baixa temporada. Isso afeta diretamente o preço que você vai pagar pelas atrações, o número de opções oferecidas e, inclusive, se os serviços estarão disponíveis.

17) Compras

Uma boa pesquisa incluirá o preço dos produtos que se deseja comprar no exterior para ver se realmente vale à pena fazê-lo. O Brasil permite a entrada de bens no valor máximo de US$ 500. Acima disso, se acontecer fiscalização da alfândega, haverá necessidade de se pagar tributos e nem sempre, com a taxa somada ao valor pago no exterior, é compensador adquirir o item.

Se você levar um notebook na viagem, por exemplo, certifique-se de levar também a nota fiscal. Se isso não ocorrer, os fiscais podem considerar que o bem foi comprado no exterior. O mesmo vale para outros objetos de valor. Quando da saída do Brasil, a Receita Federal não emite uma listagem dos itens que foram levados.

Em relação ao dinheiro trazido em espécie do exterior, é preciso declarar qualquer quantia igual ou superior a R$ 10.000,00 ou o equivalente em qualquer moeda e comprovar a origem lícita desse valor.

Compras realizadas no Free Shop na chegada ao Brasil não são computadas no limite de isenção de US$ 500.


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18) Hábitos e costumes

Outro item que é essencial na pesquisa. É preciso conhecer a lei, o tipo de vestimenta comum e a forma de vida do país para onde se está viajando. Quando em Roma, faça como os romanos, diz o ditado. Você é o visitante e deve se adequar aos costumes locais. Não o contrário.

19) Adaptador de tomadas e voltagem

Um item muito importante para carregar na mala é um (ou mais) adaptador de tomada. Os países têm sistemas diferentes. Pesquise qual é o da localidade para onde você vai para não correr o risco de ver seus eletrônicos serem meros objetos de decoração. Não se esqueça de também verificar a voltagem das tomadas antes de plugar seus aparelhos nelas.

20) Internet móvel e telefone celular

As principais operadoras de telefonia celular apresentam planos que funcionam em praticamente todos os países do mundo. Verifique qual é o mais adequado para o seu bolso, uma vez que eles implicam em cobranças extras.