História dos navios de cruzeiro

Autor: 
Josh Briggs

Todo mundo gosta de férias, certo? Bem, na segunda metade do século 19, o mundo desenvolveu apetite pelas viagens. Viajar pelo mar não era novidade nenhuma, mas o processo nunca foi exatamente veloz. Thomas Newcomen mudou o panorama em 1712 ao inventar o motor a vapor, uma maneira revolucionária de armazenar energia e convertê-la em força.

À medida que o motor a vapor evoluía, seus usos também mudavam, até que, em 1819, o primeiro navio norte-americano cruzou o Atlântico (em inglês) auxiliado por um motor a vapor. O S. S. Savannah, proveniente da cidade norte-americana homônima, zarpou em 22 de maio de 1819 e aportou em Liverpool (em inglês), Inglaterra (em inglês), 29 dias mais tarde. Embora o Savannah só tenha usado seus motores a vapor por aproximadamente 85 horas (ou 12% da viagem), a jornada se provou histórica e a era dos navios a vapor começou [fonte: Columbia Encyclopedia (em inglês)].

O setor de navios de passageiros floresceu no fim do século 19 e começo do 20, cortesia do motor a vapor e do crescente número de emigrantes que lotavam os transatlânticos a caminho dos Estados Unidos. A passagem transatlântica continuava a acontecer basicamente em uma direção, ainda que passageiros ricos costumassem viajar entre Inglaterra e Nova York (em inglês) para negócios ou férias.

A ambiciosa linha de navegação britânica White Star Lines começou a construir a primeira frota mundial de transatlânticos, em 1849, e revolucionaria a travessia do Atlântico nos 60 anos seguintes. Os navios da White Star bateram recordes de tamanho e de luxo, e a empresa fez construir, entre outros, três grandes transatlânticos conhecidos como “classe Olympic”. O Olympic, o Britannic e o Titanic romperam o molde dos navios de cruzeiro convencionais, e sua velocidade e decoração interna faziam com que todos os demais navios parecessem obsoletos. Mas as viagens oceânicas estavam prestes a mudar.

O Britannic

O
Britannic era o menos conhecido, mas o maior e mais extravagante dos
três transatlânticos da classe Olympic construídos para a linha do
Atlântico Norte da White Star. No entanto, apenas meses depois que sua
construção terminou, o governo britânico solicitou seu uso como
navio-hospital, na Primeira Guerra Mundial. O governo alterou o navio
para que ele pudesse servir à sua nova função - transportar feridos de
guerra da Itália para a Inglaterra - e o enviou em sua primeira viagem
na sua nova função em 23 de dezembro de 1915, sem que isso atraísse a
atenção conquistada pelo Titanic.

Menos de um ano mais tarde, o
Britannic atingiu uma mina e começou a naufragar pela proa. Em apenas
55 minutos, mais rápido que o Titanic, o Britannic afundou no
Mediterrâneo. Das mais de mil pessoas que estavam a bordo, 30 morreram.
Continua a ser o maior naufrágio de um navio de cruzeiro, ainda que ele
jamais tenha transportado passageiros em sua função original [fonte:
PBS (em inglês)].

A popularidade dos navios para a travessia no Atlântico declinou gradualmente com a chegada do avião. As pessoas podiam voar para seus destinos em uma fração do tempo que a viagem de transatlântico custaria, por isso as linhas de navegação alteraram seu modelo de negócios e se concentraram no turismo, e não no transporte de passageiros. Em 1900, a American-Hamburg Company encomendou a construção do primeiro navio especificamente projetado para cruzeiros. O Prinzessin Victoria Louise tinha 124 metros de comprimento e 16 metros de largura, e seu deslocamento era de 4.409 toneladas brutas [fonte: Norway-Heritage (em inglês)]. Em termos náuticos, uma tonelada em geral quer dizer tonelada bruta de registro ou tonelada bruta, e representa o equivalente a 100 pés (2,83 metros) cúbicos de capacidade interna.

No começo dos anos 30, o líder nazista Adolf Hitler estimulou o setor de navios de cruzeiro em seu país ao oferecer pacotes de férias aos trabalhadores alemães como parte de um esforço patrocinado pelo Estado para promover a união nacional. Hitler acabou encomendando diversos navios novos, o que fez do Partido Nazista um dos operadores pioneiros no mercado de navios de cruzeiro.

Desde seus primeiros dias, os navios de cruzeiro compartilham um objetivo universal: não afundar! Aprenda como eles tentam evitar esse destino na próxima página.