Como os navios de cruzeiro flutuam

Autor: 
Josh Briggs

Para poder percorrer o mar aberto, os navios precisam ser capazes de sustentar seu imenso peso, incluindo o peso da tripulação, da bagagem, dos suprimentos e dos passageiros. Eles fazem isso com a ajuda dos princípios da densidade e da flutuação. Os navios de cruzeiro (em inglês) podem pesar mais de 65 mil toneladas e deslocam um volume de água equivalente quando comprimem o oceano, que por sua vez pressiona na direção oposta e mantém o navio à tona, ou flutuando.

É por isso que quando engenheiros discutem o peso do navio, falam em deslocamento, em vez de peso. Para não afundar, o navio precisa deslocar seu peso em água antes de submergir. Isso é bem mais fácil de fazer se o navio de cruzeiro for construído de forma a se tornar menos denso do que a água que existe sob seu casco. Pense nisso como a diferença entre derrubar uma bola de boliche na água e tentar afundar uma bola de praia. A bola de boliche não consegue deslocar água suficiente antes de submergir, por isso afunda. A bola de praia faz o oposto, por isso flutua.

Os engenheiros ajudam navios a obter flutuabilidade escolhendo materiais resistentes e de baixo peso, e dispersando os componentes mais pesados do navio por seções distintas do casco. O casco, ou corpo do navio abaixo do convés principal, geralmente é bastante largo e tem uma linha base, ou fundo, de grande profundidade. Navios de grande porte como cargueiros, belonaves e navios de transporte e de cruzeiro normalmente empregam cascos de deslocamento, ou cascos que empurram a água para longe a fim de manter o navio flutuando.

Um casco de deslocamento de fundo redondo se assemelha a um grande retângulo com bordas arredondadas e tem a finalidade de dissipar o arrasto, ou a força exercida contra um objeto em movimento. As bordas arredondadas minimizam a força da água contra o casco, permitindo que navios pesados e de grande porte se movimentem com suavidade. Se um navio fosse retirado da água e fosse observado de uma distância de algumas dezenas de metros, o casco se assemelharia a uma grande letra U, dependendo do tamanho da quilha. A quilha corre da popa à proa e age como espinha dorsal do navio.

Os cascos de deslocamento com fundo arredondado oferecem vantagens e desvantagens. Ao contrário de um barco com casco em V, que ascende da água e corta as ondas, os cascos de fundo arredondado se movem através da água, o que os torna muito estáveis e oferece navegação muito firme. Os passageiros de navios como esses raramente sentem oscilações ou movimento no eixo lateral.

Os navios com cascos de fundo arredondado se movem de maneira fluida, mas a resistência da água os torna extremamente lentos. A velocidade máxima de que são capazes é limitada e chega um momento em que aumentar a potência do motor deixa de propiciar retornos apreciáveis. Mesmo assim, a necessidade de estabilidade e de uma navegação suave superam a velocidade, e fazem dos cascos de fundo arredondado a forma ideal para navios de cruzeiro.

O casco serve não só para a estabilidade, mas também para a proteção do navio. Recifes, bancos de areia e icebergs são capazes de danificar fibra de vidro, materiais compostos e até mesmo aço. Para impedir danos catastróficos, os estaleiros normalmente constroem os navios de cruzeiro com aço altamente resistente e empregam cascos duplos como precaução adicional. Um navio de casco duplo apresenta dois cascos sobrepostos, como um pneu dotado de câmara.

Infelizmente, acidentes acontecem. A fim de prevenir naufrágios de navios de cruzeiro caso alguma coisa penetre as duas primeiras de defesa, barreiras verticais contra a água conhecidas como anteparos existem em diversos pontos do casco. Os anteparos mantêm os navios danificados à tona ao conter a entrada de água em um compartimento ou seção, dessa forma impedindo que todo o navio seja inundado.

Agora que aprendemos como esses imensos navios flutuam, vamos observar os diversos sistemas de propulsão que os conduzem de porto a porto.