Sem uma fonte de propulsão, esses imensos navios de cruzeiro (em inglês) seriam nada mais que hotéis à deriva. Assim, que opções de propulsão estão disponíveis?
Navios de cruzeiro mais antigos empregam motores a diesel alternados a fim de gerar força propulsora. A potência do motor é conduzida pela transmissão aos eixos das hélices. As transmissões determinam o número de giros das hélices quase da mesma maneira que a transmissão de um carro usa a rotação do motor e a converte em potência que pode ser usada em velocidade aproveitável nas rodas traseiras dos carros. Os navios de cruzeiro mais modernos usam turbinas a gás ou motores a diesel-elétricos como fonte de potência propulsora, bem como de energia para os sistemas de bordo. Quanto maior o navio de cruzeiro, maior a demanda por energia elétrica. Alguns dos navios de maior porte dependem de duas fontes de energia diferentes: uma para a propulsão e uma exclusivamente para gerar energia elétrica.
As turbinas a gás derivadas de propulsores aeronáuticos geram calor que é convertido de energia mecânica em energia elétrica. Para fazer isso, elas inflamam ar comprimido em uma câmera de combustão. O jato de ar quente é forçado a se mover na direção de uma turbina que gira mecanicamente e aciona um eixo. Essa potência pode ser usada para acionar geradores elétricos. Os motores a diesel-elétricos trabalham quase da mesma maneira, mas empregam um sistema de transmissão direta em vez de uma turbina. Os eixos de tração são conectados a geradores elétricos para produzir energia elétrica.
Ambos os tipos de motor requerem combustível e em quantidades enormes. Por exemplo, o QE2 consome cerca de 380 toneladas de combustível ao dia se estiver viajando a 28,5 nós e seus tanques abrigam combustível suficiente para 12 dias de navegação ininterrupta [fonte: Warwick (em inglês)]. Os navios de cruzeiro geralmente se reabastecem nos diversos portos que visitam, empregando barcaças de diesel que servem como uma espécie de posto de gasolina. O diesel que eles utilizam é menos refinado do que o usado nos veículos rodoviários acionados a diesel, e não queima de maneira tão limpa. Quando os preços dos combustíveis sobem nos postos de gasolina, os navios de cruzeiro certamente sentem o impacto.
Todos os navios de cruzeiro usam hélices para propeli-los pela água. As hélices cortam a água e geram movimento. Ao contrário de aviões, que requerem hélices girando em velocidades elevadíssimas para prover o movimento necessário ao vôo, as hélices dos navios de cruzeiro não giram tão rápido. Dependem do torque, ou força bruta, mais que da rotação, ou alta velocidade. Por isso, os navios de cruzeiro viajam lentamente, raramente superando 30 nós de velocidade.
Os navios mais novos e mais avançados tecnologicamente, como o Queen Mary II, usam propulsores de azimute, que são como casulos que abrigam hélices. Os casulos podem se mover 360 graus e oferecem o máximo de manobrabilidade. Esses propulsores substituem os lemes e acredita-se que ofereçam diversos benefícios em relação às hélices e eixos convencionais, entre os quais uma distância menor para parar e maior eficiência energética [fonte: AP (em inglês)]. Eles também podem ser usados com turbinas a gás ou com motores a diesel-elétricos.
Caso o Titanic (em inglês) dispusesse de propulsores de azimute, as coisas poderiam ter sido diferentes. Uma das causas do desastre do Titanic foi sua incapacidade de manobrar com rapidez para evitar o impacto com o iceberg que rasgou a proa do navio. Os navios de cruzeiro tradicionalmente dependem do leme e de diferenciar as velocidades das hélices para virar, mas os equipados com propulsores de azimute podem fazer curvas muito mais rápido, de modo que mais navios de cruzeiro começam a incorporar essa tecnologia.