Como os navios de cruzeiro se movimentam

Autor: 
Josh Briggs

Sem uma fonte de propulsão, esses imensos navios de cruzeiro (em inglês) seriam nada mais que hotéis à deriva. Assim, que opções de propulsão estão disponíveis?

Navios de cruzeiro mais antigos empregam motores a diesel alternados a fim de gerar força propulsora. A potência do motor é conduzida pela transmissão aos eixos das hélices. As transmissões determinam o número de giros das hélices quase da mesma maneira que a transmissão de um carro usa a rotação do motor e a converte em potência que pode ser usada em velocidade aproveitável nas rodas traseiras dos carros. Os navios de cruzeiro mais modernos usam turbinas a gás ou motores a diesel-elétricos como fonte de potência propulsora, bem como de energia para os sistemas de bordo. Quanto maior o navio de cruzeiro, maior a demanda por energia elétrica. Alguns dos navios de maior porte dependem de duas fontes de energia diferentes: uma para a propulsão e uma exclusivamente para gerar energia elétrica.

As
turbinas a gás derivadas de propulsores aeronáuticos geram calor
que é convertido de energia
mecânica em
energia elétrica.
Para fazer isso, elas
inflamam ar comprimido
em uma câmera
de combustão. O jato
de ar quente
é forçado a se mover
na direção de uma turbina
que gira
mecanicamente e aciona um eixo. Essa potência
pode ser usada para acionar geradores elétricos. Os motores a
diesel-elétricos trabalham quase da mesma maneira, mas
empregam um sistema
de transmissão direta
em vez
de uma turbina. Os eixos
de tração são
conectados a geradores elétricos para produzir energia elétrica.

Ambos os tipos
de motor requerem combustível
e em quantidades
enormes. Por
exemplo, o QE2 consome cerca de 380 toneladas
de combustível ao dia
se estiver viajando a 28,5 nós e seus tanques
abrigam combustível suficiente
para 12 dias
de navegação ininterrupta
[fonte: Warwick (em inglês)]. Os navios
de cruzeiro geralmente se reabastecem nos diversos portos que
visitam, empregando barcaças de diesel que
servem como uma espécie de posto de gasolina.
O diesel que
eles utilizam é menos
refinado do que o usado nos veículos rodoviários acionados a diesel,
e não queima
de maneira tão
limpa. Quando
os preços dos combustíveis
sobem nos postos
de gasolina, os navios
de cruzeiro certamente
sentem o impacto.

Todos os navios
de cruzeiro usam hélices
para propeli-los pela
água. As hélices
cortam a água e geram movimento. Ao contrário de aviões,
que requerem hélices
girando em velocidades
elevadíssimas para prover
o movimento necessário
ao vôo, as hélices
dos navios de cruzeiro
não giram tão
rápido. Dependem do torque, ou
força bruta,
mais que
da rotação, ou
alta velocidade.
Por isso,
os navios de cruzeiro
viajam lentamente, raramente
superando 30 nós de velocidade.

Os navios
mais novos
e mais avançados
tecnologicamente, como o Queen Mary II,
usam propulsores de azimute, que
são como
casulos que
abrigam hélices. Os casulos
podem se mover 360 graus
e oferecem o máximo de manobrabilidade. Esses propulsores
substituem os lemes e acredita-se que ofereçam diversos
benefícios em relação às hélices
e eixos convencionais,
entre os quais
uma distância menor
para parar e maior eficiência
energética [fonte:
AP (em inglês)]. Eles
também podem ser
usados com turbinas
a gás ou com
motores a diesel-elétricos.

Caso o Titanic (em inglês) dispusesse de propulsores
de azimute, as coisas poderiam ter sido diferentes.
Uma das causas do desastre
do Titanic foi sua incapacidade
de manobrar com
rapidez para evitar o impacto com o iceberg que rasgou a proa
do navio. Os navios
de cruzeiro tradicionalmente dependem do
leme e de diferenciar
as velocidades das hélices
para virar, mas os equipados com
propulsores de azimute podem fazer curvas muito mais rápido, de modo
que mais
navios de cruzeiro
começam a incorporar essa tecnologia.