Críticas aos navios de cruzeiro

Um hotel flutuante repleto de milhares de turistas e tripulantes certamente encontra algumas dificuldades. O setor de navios de cruzeiro atraiu a ira de muitos ecologistas e de autoridades de saúde pública - isso sem mencionar policiais e legisladores. Vamos conhecer primeiro com as críticas ambientais.

Como seria de esperar, os navios de cruzeiro causam diversas formas de poluição em seu percurso pelos mares (em inglês).

  • Água negra - os eflúvios fecais humanos.

  • Água cinzenta - os eflúvios dos chuveiros, pias, lavadoras de louça e outras atividades de limpeza executadas pelo navio.

  • Água de estiva - a água dos tanques de resíduos do navio, que contém óleo de motor e graxa.

  • Resíduos sólidos - lixo que consiste em embalagens plásticas e metálicas, que normalmente terminam como cinzas incineradas.

  • Resíduos perigosos - produtos químicos de limpeza, tintas, solventes e produtos de lavagem a seco que chegam à água cinzenta ou à água de estiva.

Um navio de cruzeiro médio cria um total estimado de 340 a 965 mil litros de água cinzenta, 113 mil litros de água negra e 140 mil litros de água de estiva a cada dia [fonte: Herz (em inglês)]. As legislações ambientais frouxas permitem que os navios de cruzeiro despejem todos esses resíduos no mar (com exceção dos resíduos sólidos e não tratados). A água de estiva, a água cinzenta e o esgoto tratado, bem como os resíduos sólidos incinerados, podem ser, e regularmente são, despejados diretamente no mar, desde que a mais de cinco quilômetros da costa.

A água de lastro, usada para estabilizar o navio, também pode prejudicar ecossistemas. Os navios inevitavelmente enchem seus tanques de lastro em um local e os expurgam em outro, e assim introduzem novas espécies e organismos marinhos em novos ambientes. Quase da mesma maneira que a erva kudzu quando introduzida nos EUA, microrganismos estrangeiros também podem infectar e matar plânctons, plantas marinhas, corais (em inglês) e peixes (em inglês) locais.

Da perspectiva da saúde pública, os surtos de doenças em navios também são motivo de preocupação. A maior parte das grandes linhas de cruzeiro - Carnival Cruise Lines, Norwegian Cruise Lines, Celebrity Cruises e Princess Cruises, entre outras - já relatou surtos, de acordo com o Centro de Controle de Doenças dos EUA. O organismo que normalmente causa doenças aos passageiros é o norovírus, um vírus associado à gastrenterite (a “gripe do estômago”). Infecções por norovírus se espalham rapidamente em um navio de cruzeiro, devido ao espaço confinado. Para verificar as inspeções de saúde de navios de cruzeiro específicos, visite o site do programa de Saneamento Náutico do CDC (em inglês), que divulga os relatórios de inspeção.

Um dos aspectos mais frustrantes de uma viagem em navio de cruzeiro é provavelmente a ausência de um regime de segurança. Diversos críticos apontam que as linhas de navegação estão mais preocupadas em se proteger de possíveis processos. Elas hesitam em empregar forças legítimas de segurança a bordo do navio, por medo de processos de parte dos usuários.

A superlotação também passou a ser um fator de dissuasão para os interessados em cruzeiros marítimos, especialmente porque empresas como a Royal Caribbean, a Cunard e a Carnival vêm aumentando mais e mais o número de passageiros atendidos. As filas para desfrutar das atrações de bordo continuam crescendo, com a chegada ao mercado de navios como o Genesis. O Genesis deve fazer sua viagem inaugural em 2009. O navio, construído ao custo de US$ 1,4 bilhão, tem comprimento de 360 metros e acomodará 5,4 mil passageiros, em regime de lotação máxima [fonte: AP]. Essas multidões de passageiros também podem superlotar os portos de destino. Mas as operadoras de navios de cruzeiro não mostram sinais de que encerrarão sua batalha pela construção do maior navio.

Para aprender mais sobre esses gigantes náuticos, siga os links da próxima página.