Posicionados em formação de batalha, vários soldados de terracota e seus cavalos protegem o túmulo do Imperador Qin Shi Huang. Apesar de ser de beleza impressionante, o exército não foi criado para ser visto por olhos de meros mortais. As figuras de argila foram enterradas mais de 2 mil anos atrás em catacumbas subterrâneas, prontas para escoltarem o imperador à vida eterna.
![]() Shutterstock Na catacumba maior, cerca de mil figuras já foram descobertas até agora, talvez um oitavo do total de guerreiros enterrados ali |
O esplêndido tesouro, legado do primeiro imperador da China unificada, foi descoberto em 1974 por camponeses que cavavam um poço. Entre os guerreiros de terracota descobertos até agora nas três catacumbas há arqueiros, cavalaria, cocheiros e soldados armados empunhando lanças e adagas. O escalão militar dos soldados pode ser determinado ao se examinar seus cortes de cabelo e sutis pontos em seus uniformes. Originalmente, suas roupas eram pintadas de verde, vermelho, roxo e azul, mas apenas alguns traços do pigmento permaneceram.
O interessante é que cada figura tem características faciais únicas e pode na verdade ser o retrato de um guarda imperial. Ainda assim, as estátuas eram de certa forma genéricas; as figuras, em sua maioria ocas, eram produzidas em massa, e depois recebiam cabeças e mãos modeladas individualmente.
Como soldados de verdade, os guerreiros de terracota originalmente carregavam arcos, espadas e lanças de verdade. Cerca de 10 mil armas já foram encontradas nas catacumbas. Como as superfícies de metal das espadas tiveram tratamento especial, desafiaram a corrosão com tanta eficácia que as lâminas ainda estão afiadas, mesmo após 2 mil anos enterradas. De certa forma ameaçadoras, as pontas de flechas encontradas ali foram feitas de uma liga venenosa de chumbo - a mesma das flechas que foram usadas como armadilhas no túmulo do próprio imperador.
Em uma catacumba, muitos guerreiros de argila foram encontrados fragmentados e quebrados, resultado dos séculos de vigília sob o solo. Descobertos agora, eles criam a impressão de um campo de batalha de soldados arruinados - uma recordação, talvez, da futilidade da guerra e da vaidade dos imperadores.
SOBRE O AUTOR: Jerry Camarillo Dunn Jr. trabalhou na National Geographic Society durante mais de 20 anos, começando como editor, escritor e colunista na revista Traveler, depois escrevendo guias de viagem. Seu trabalho mais recente foi no "National Geographic Traveler: San Francisco". O "Smithsonian Guide to Historic America: The Rocky Mountain States" de Dunn já vendeu mais de 100 mil cópias. Suas histórias sobre viagem são publicadas em jornais como Chicago Tribune e The Boston Globe. As histórias de Dunn já ganharam três prêmios Lowell Thomas da Sociedade Americana de Escritores de Viagem - o maior prêmio da categoria. Ele também escreveu e apresentou um episódio piloto de um programa de viagem para a WGBH, canal de TV aberta de Boston.
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