Por que alguém iria querer vagar por fábricas desmoronando ou se esgueirar por estreitas minas subterrâneas? Prédios abandonados e outras estruturas esquecidas são vistas pela maioria das pessoas como lugares escuros e perigosos. Mas tire as camadas de grafite, as janelas quebradas, as parafernálias de drogas e um corpo ou outro: você vai encontrar o fascínio que atrai os exploradores urbanos.
Muitos locais abandonados acabam sendo demolidos; talvez o maior papel do explorador urbano é servir como a última testemunha da construção. As construções são criadas pensando nas pessoas, são construídas para terem alguma função em nosso benefício. Mas quando os prédios são abandonados, esses locais não têm mais qualquer tipo de propósito. Olhando para essas estruturas como arte ou monumentos históricos, os exploradores urbanos dão a eles um novo propósito. A maioria das pessoas que fazem exploração urbana consideram a jornada como um fim em si mesma. A experiência em localizar áreas esquecidas é razão suficiente para explorar. Mas existe também razões mais específicas para pessoas saírem em busca de estruturas feitas pelo homem.

Alguns apreciam a arquitetura antiga e velhos maquinários. Para outros, é a emoção de apenas ficar parado em um lugar silencioso e não visitado. E tem aqueles que acham beleza no tipo de deterioração que pode ser encontrada em prédios esquecidos.
Uma classe de exploradores urbanos se consideram curadores de um passado perdido. Esses documentaristas levam suas funções a sério. Um site de UE, ForgottenDetroit.com (em inglês), é dedicado a catalogar os restos decadentes dos anos dourados do centro de Detroit (em inglês). O site é cheio de histórias dos prédios da região e fotos de incursões feitas antes de serem esquecidos.
Os exploradores urbanos que apreciam a história ficam completamente supridos em espaços abandonados. Todas as estruturas antigas têm um passado e existem algumas bastante coloridas esquecidas no mundo todo. Por exemplo, o enorme sanatório de tuberculose (em inglês) abandonado em Waverly Hills em Kentucky (em inglês) ainda tem um necrotério, o qual mantém uma lembrança dos mais de 60 mil pacientes que morreram lá. [fonte: Murray State University (em inglês)]. Embaixo da Columbia University em Nova Iorque (em inglês), o explorador urbano Steve Duncan foi talvez a primeira pessoa em aproximadamente 60 anos a colocar os olhos em um laboratório abandonado, onde experimentos iniciais no Projeto Manhattan (o qual produziu a bomba atômica) foram realizados. [fonte: New York Times].
Em prédios abandonados como esse, que um dia foram comuns, os itens do dia-a-dia tomam um outro significado. Uma antiga escrivaninha, uma boneca mal vestida, um motor de elevador de defuntos, uma fileira de cadeiras, arquivos pessoais - todas essas coisas servem como lembrança das encarnações passadas do local. Perambulando por esses lugares, a mente do explorador vacila imaginando como isso já foi um dia.
Para esses exploradores com um apreço pela arquitetura, existe uma verdadeira mina de ouro para ser encontrada em bairros abandonados. Muitas estruturas antigas apresentam trabalhos manuais confusos que são raramente vistos nas construções de hoje. A UE oferece uma alternativa para a homogeneidade encontrada nos recém-construídos shoppings e casas, como o hospital abandonado de varíola na ilha Roosevelt em New York, muito parecido com uma catedral, ou como a sinalização extravagante que ainda enfeita o drive-in Linden Air em Columbus, Ohio (em inglês). [Fonte: San Francisco Chronicle (em inglês)].
A exploração revela detalhes do período encontrados em antigos palácios de filme e teatros e a decadência encontrada em hotéis históricos, como os balcões ornados que enfeitaram as paredes do grande salão de baile no hotel Booker-Cadillac em Detroit. Esse tipo de observação não está muito longe da antropologia urbana, na qual as pessoas estudam a sociedade examinando seu passado rejeitado.
Qualquer que seja seu motivo, o explorador urbano encontra aventura nesses locais abandonados. Há uma paz nessas cavernas vazias de concreto que não é como a solidão encontrada nas florestas. Não é uma experiência oposta àquela da natureza. Em vez de encontrar uma restauração na renovação das estações, o explorador urbano encontra uma ligação com o passado.
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