Quando essa igreja foi consagrada em Constantinopla em 537, ninguém na história da arquitetura tinha conseguido tamanha sofisticação ou a ousadia de erguer um prédio como este. O interior da igreja - tão imensa que enormes multidões cabiam nela - é coberto por uma cúpula que parece estar suspensa no céu.
Apoiada em quatro colunas independentes, a cúpula está a aproximadamente 56 metros do chão, e a luz que entra pelas janelas altas dá a impressão de um imenso espaço vazio. Esta é Hagia Sofia, ou Ayasofya em turco - a igreja cujo nome significa, literalmente, Sabedoria Divina.
![]() Corbis Hagia Sofia influenciou e inspirou arquitetos por séculos depois de sua consagração em 537 |
Ela foi construída em Constantinopla como uma igreja imperial por Justiniano o Grande, que insistiu na utilização de materiais raros como painéis de mármore e colunas de brecha. Em 1453, quando a cidade caiu nas mãos dos muçulmanos otomanos, o papel de Hagia Sofia mudou: ela foi transformada numa mesquita dedicada a Alá.
Os otomanos adicionaram a ela um nicho de preces chamado mihrab direcionando os fiéis, um balcão para o sultão e, acima da nave, enormes placas de madeira com gravuras em árabe. Na parte exterior, eles colocaram quatro torres de mesquitas.
Os muçulmanos também cobriram as maravilhosas figuras de mosaico da igreja com cal, cobertura que preservou muitas delas até sua reforma no século 13. Entre os mosaicos de Hagia Sofia, a única que mostra uma conversa é a que exibe a Imperatriz Zoe e seu marido Constantino IX (cujo rosto foi o terceiro a preencher o mesmo espaço, pois cada novo companheiro da imperatriz tinha seu rosto colocado no mosaico).
Uma cena encantadora de Cristo, a Virgem e João Batista data dos anos 1300, um último brilho do espírito bizantino. Os imperadores Constantino e Justiniano aparecem em outra cena, entregando Istambul e Hagia Sofia para a Virgem e a Criança.
Então Hagia Sofia é uma igreja ou uma mesquita? Kemal Ataturk, que fundou a República Turca, encerrou tal debate declarando-a um museu nacional em 1935. Atualmente, sua glória está aberta para todos.
SOBRE O AUTOR: Jerry Camarillo Dunn Jr., trabalhou com a Sociedade Geográfica Nacional por mais de 20 anos, começando como editor, escritor e colunista na revista Traveler e depois escrevendo guias de viagem. Seu último trabalho na National Geographic Traveler: San Francisco. Dunn’s Smithsonian Guide to Historic America: The Rocky Mountain States vendeu mais de 100 mil cópias. Seus artigos de viagem aparecem em jornais como Chicago Tribune e The Boston Globe. As histórias de Jerry Dunn ganharam três Prêmios Lowell Thomas da Sociedade dos Escritores de Viagem Norte-americanos, a mais alta honra na área. Ele também escreveu e apresentou um episódio piloto para um programa de viagem produzido pela WGBH, uma estação de televisão pública deBoston.






