A construção do London Eye

Quando os arquitetos do Marks Barfield decidiram considerar que estrutura melhor celebraria a virada do século, repararam que Londres (em inglês) não contava com pontos de observação que permitissem às pessoas contemplar do alto os edifícios e a paisagem que os cercava. Uma roda alta e giratória não só ofereceria um ponto de observação único sobre a cidade como permitiria que grande número de pessoas a contemplassem ao mesmo tempo.

O London Eye é uma interpretação moderna da roda gigante tradicional, com algumas claras diferenças. Para começar, os passageiros se acomodam em cápsulas fechadas e não em gôndolas pendentes da estrutura da roda. Além disso, a estrutura só tem apoio de um lado, o que permite que a roda penda sobre o rio Tâmisa (em inglês).

london eye
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O London Eye serve como excelente exemplo de uma estrutura de apoio. O projeto, construído em aço, toma a forma de uma letra A, com duas grandes pernas que se afunilam na base. Elas ficam separadas por 20 m e cada uma tem 58 m de comprimento. As pernas se inclinam na direção do rio (em inglês) a um ângulo de 65 graus. Um sistema de ancoragem por cabos impede que a roda caia ao rio -- os cabos se conectam ao topo da estrutura e descem até uma fundação de concreto de 1.200 toneladas.

A parte do London Eye que forma a roda se assemelha a uma roda de bicicleta -- com um cubo de roda e um eixo que se conectam ao aro por 64 raios. Há 16 cabos de rotação adicionais presos ao aro em ângulo oposto, para garantir que o giro do cubo central e o da roda tenham o mesmo percurso. O eixo só tem apoio de um lado (estrutura em cantilever), e a estrutura sustenta a roda sobre o rio. A roda gigante pode resistir a ventos da ordem de tempestades de 50 anos, ou seja, à pior tempestade que poderia acontecer em 50 anos, de acordo com as previsões atuais. E se for atingido por um relâmpago, a carga seria aterrada sem risco para os passageiros.

O London Eye gira em torno do eixo como uma roda de bicicleta, mas motorizada: motores hidráulicos, acionados por bombas elétricas, fornecem a energia necessária. Os sistemas de propulsão ficam em duas torres, uma em cada ponta da plataforma de embarque. Eis como gira a roda: pneus comuns de caminhão posicionados no aro agem como roletes de fricção. Motores hidráulicos fazem com que os pneus girem e a rotação aciona a roda. Um computador controla a velocidade do motor hidráulico para cada pneu.

Os principais componentes do empreendimento foram construídos fora do local. Quando completados, foram levados em barcaças, peça a peça, pelo Tâmisa até o local de construção na margem sul. Os operários montaram a roda gigante na horizontal, em uma plataforma temporária de apoio sobre o rio, o que tornou a construção mais rápida, fácil e segura do que seria caso a estrutura fosse montada na vertical. Assim que a montagem terminou, elevadores hidráulicos e cabos ergueram a roda de 1.200 toneladas, em uma operação que durou um dia inteiro, até que ela atingisse o ângulo de 65 graus. Depois, as 32 cápsulas foram afixadas ao aro, o que demorou oito dias.

Em vez de ficarem suspensas e balançarem, as cápsulas de passageiros giram em anéis de montagem circulares afixados ao lado de fora do aro principal. À medida que a roda gira, as cápsulas também giram em seus anéis de montagem, para se manterem horizontais. Caso elas não girassem, quando a cápsula em que você está completasse uma volta, você estaria de cabeça para baixo. Cada cápsula tem sistema separado de aquecimento e refrigeração, bancos e vidros especiais para resistir às variações do clima. Elas também contam com um sistema integrado de estabilização, o que significa que podem se manter estáveis mesmo que todos os passageiros se agrupem do mesmo lado. O número de 32 cápsulas permite que cada uma delas represente um dos distritos de Londres.