Uma cidade perdida, flutuando em meio às nuvens. Uma Shangri-lá de pedras, estabelecida nas montanhas dos Andes peruanos. Uma misteriosa cidade construída, ocupada e abandonada pelos incas em menos de um século. Essa é Machu Picchu.
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Ao ver o maravilhoso trabalho feito nas construções de pedras em Machu Picchu, Hiram Bingham acreditou (erroneamente) que tivesse encontrado o lendário refúgio final dos incas, chamado Vilcabamba |
Durante centenas de anos, a cidade ficou escondida na floresta. Então, em 1911, um professor de Yale chamado Hiram Bingham organizou uma expedição aos Andes peruanos. No vale do rio Urubamba, ele encontrou um fazendeiro que o guiou até as ruínas da cidade escondida - a única cidade inca que não havia sido saqueada ou destruída durante os quatro séculos anteriores.
Ao ver o primoroso corte nas construções de pedra, Bingham acreditou ter descoberto Vilcabamba, o lendário refúgio final dos incas. Evidências arqueológicas, entretanto, mostraram que não: Machu Picchu parece ter sido o centro de uma província de tamanho considerável. Segundo evidências recentes, a cidade pode ter sido construída por Pachacuti, o patriarca fundador do império inca, e povoada por sua casa real. Se essa suposição estiver correta, Machu Picchu teria sido construída um pouco antes de 1438, quando Pachacuti expulsou totalmente os inimigos invasores e os incas começaram a expandir seu império.
Machu Picchu fica no topo de uma montanha, entre outros picos com florestas. A cidade tem apenas 200 casas, sugerindo uma população de aproximadamente mil pessoas. Como as terras agrícolas das redondezas podiam alimentar muito mais pessoas do que isso, alguns arqueólogos dizem que o papel da cidade era cultivar folhas de coca e levá-las para os padres e nobres da capital inca vizinha, chamada Cuzco.
Existe outra teoria, entretanto, que parece chegar mais perto de revelar o misterioso objetivo de Machu Picchu: ela teria sido um centro espiritual e cerimonial. A cidade contém muitos prédios religiosos, construídos cuidadosamente. Um deles, o Templo do Sol (uma torre semicircular com um extraordinário trabalho em pedras), funcionava como o observatório dos céus. Uma marca feita no centro da torre está alinhada, através de uma janela, com o ponto exato onde o Sol nasce no solstício de junho. No interior dos templos, os incas colocavam estátuas ou oferendas religiosas.
Outra pequena caverna em Machu Picchu servia como observatório no solstício de dezembro. Banhos religiosos podem ter sido feitos nas Fontes, uma série de 16 pequenas cascatas em que o foco poderia ter sido a água, mas o santuário principal de Machu Picchu provavelmente foi o intihuatana - o "lugar onde se amarra o sol" - uma pedra que os incas podem ter usado para observar os céus e marcar as estações do ano. Toda cidade inca tinha tal pedra, mas apenas essa foi poupada da destruição pelos conquistadores espanhóis, que eliminaram todos os sinais da idolatria inca. Ninguém sabe ao certo como essa pedra era usada.
Em outra parte da cidade, a Pedra Sagrada é uma pedra lisa, ereta, cujas margens traçam um esboço das montanhas que se podem ver depois dela. Sua função continua sendo um mistério. No Templo do Condor, artistas incas esculpiram em uma pedra a imagem de um condor, novamente por razões desconhecidas.
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Por que os incas deixaram Machu Picchu para a vegetação e para o tempo? Especula-se que as fontes de água secaram ou os habitantes foram devastados pela guerra civil, por incêndio ou pelos invasores espanhóis. |
Perto da cidade ficam outros lugares intrigantes. A Intipunku, ou Porta do Sol, é um corte em uma cadeia de montanhas que molda o sol durante certos períodos do calendário. A famosa Ponte Inca fica localizada ao longo de uma estreita trilha montanhosa que, em alguns pontos, transforma-se em um penhasco. Os construtores, com muita inteligência, deixaram um espaço na parte de apoio da trilha, que eles poderiam construir com dois troncos. Conforme fosse necessário, os troncos poderiam ser retirados para que intrusos não conseguissem passar.
Não surpreende então, que essa cidade numa montanha quase inacessível tenha ficado escondida e desconhecida dos intrusos depois dos incas a terem abandonado.
SOBRE O AUTOR: Jerry Camarillo Dunn Jr., trabalhou com a National Geographic Society por mais de 20 anos, começando como editor, escritor e colunista na revista Traveler e depois escrevendo guias de viagem. Seu último trabalho na National Geographic Traveler: San Francisco. Dunn’s Smithsonian Guide to Historic America: The Rocky Mountain States vendeu mais de 100 mil cópias. Seus artigos de viagem aparecem em jornais como o Chicago Tribune e The Boston Globe. As histórias de Jerry Dunn ganharam três Prêmios Lowell Thomas da Sociedade dos Escritores de Viagem Norte-americanos, a mais alta honra na área. Ele também escreveu e apresentou um episódio piloto para um programa de viagem produzido pela WGBH, uma estação de televisão pública de Boston.




