Como funciona a organização The Nature Conservancy

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Todos nós ficamos emocionados ao ver bandos de pássaros voando para encontrar locais mais quentes. Você sabia que das 9.700 espécies de aves do mundo, quase metade delas (cerca de 4.500) procria nas Américas? E que 25% desses pássaros estão em risco porque seu hábitat está sendo ameaçado?

Isso não afeta somente os bichos. Nossas praias favoritas, pradarias e florestas também estão ameaçadas. Será que existe algo que possamos fazer para que esses lugares especiais sobrevivam?

A organização privada e não lucrativa The Nature Conservancy (site em inglês) diz que, definitivamente, podemos fazer algo, e ela está trabalhando duramente para preservar nosso planeta. De acordo com os líderes da organização, desde sua criação, em 1951, mais de um milhão de associados ajudaram a proteger 11 milhões de acres de importantes áreas ecológicas nos Estados Unidos e mais de 60 milhões de acres do Canadá, Caribe, América Latina, Ásia e região do Pacífico. A organização, uma das preferidas da ambientalista e filantropa Doris Duke, atualmente gerencia 1.340 áreas de preservação e se tornou o maior sistema de santuários naturais privados do mundo.

Neste artigo, vamos conhecer essa organização, que funciona basicamente com doações privadas. Vamos examinar alguns projetos específicos da Unidade da Carolina do Norte dessa organização. Para entender melhor sobre o assunto, leia Como funciona a filantropia.

O que é a organização The Nature Conservancy e como ela começou?

A missão da organização é "proteger os animais, plantas e comunidades naturais que representam a diversidade da vida na Terra e proteger as terras e águas de que eles precisam para sobreviver". William Stolzenburg, editor de Ciência da revista da organização, descreve a missão da seguinte maneira: "A escala da preservação biológica cresceu. Hoje, não basta apenas cuidar de espécies em extinção, é necessário cuidar de ecossistemas inteiros. O novo mapa dos objetivos da organização não é delimitado por linhas políticas ou fronteiras, mas pelas características de clima e geografia, fogo e enchente e a fauna e flora que estão ali presentes."


Foto cedida pot Scott Michael
Esse sapo pode ser encontrando nas florestas de pinheiros longleaf da Carolina do Norte

Como acontece com a maioria das organizações não governamentais, um pequeno grupo de pessoas conscientes fundou o que hoje é uma imensa organização de caridade. Alguns membros da Ecological Society of America (sociedade ecológica dos Estados Unidos) se uniram em 1951 para enfrentar a perda de áreas naturais e proteger os hábitats de espécies raras em extinção. De acordo com os historiadores da organização, o foco inicial era utilizar a melhor informação científica disponível para alcançar os objetivos, uma filosofia que permanece até hoje.

A primeira área de preservação da organização, adquirida em 1954, foi de 60 acres de terra ao longo do Mianus River Gorge, no condado de Westchester, em Nova Iorque. Os fundos doados por membros e outras pessoas recrutadas foram somados a empréstimos. Essa era uma maneira nova de chegar aos objetivos e se tornou o modelo de captação de recursos para os projetos da organização.

No começo de 1970, a organização começou a catalogar informações em cada estado e também na América Latina, no Canadá e no Caribe. Esses dados não foram muitos úteis para as prioridades da organização e captação de recursos para os projetos.

As unidades estaduais foram organizadas na década de 70 e o programa internacional foi lançado em 1982. Hoje, o programa do Pacífico, com base no Havaí, está trabalhando para proteger as áreas ameaçadas na Indonésia, na Micronésia e na Melanésia. Na América Latina, a organização conseguiu alianças com mais de 40 parceiros, em mais de 20 países, para criar uma variedade de serviços (desenvolvimento da comunidade, capacitação profissional e financiamento de longo prazo) para áreas que estão legalmente protegidas mas têm poucos recursos.

Depois de anos de concentração e aquisição de terra para estabelecer áreas de preservação, o foco da organização começou a mudar nos anos 80. Em vez de adquirir locais críticos, o grupo começou a focar em grandes áreas ecológicas e a persuadir mais colaboradores (donos de terra e residentes do local). Os objetivos do grupo estavam se expandindo geograficamente e ficando mais ambiciosos. Ao mesmo tempo, a organização precisava dos esforços de cada integrante para promover atividades de preservação e restauração.

Como a organização The Nature Conservancy escolhe a terra que vai proteger?

Geralmente, as áreas mais críticas são escolhidas pelos projetos da organização. Os State Natural Heritage Inventory Programs (programas de inventário de patrimônio natural estatal), geralmente administrados por um órgão do governo, identificam os locais das ameaças naturais incomuns. Os dados científicos desses inventários indicam a "relativa raridade" de espécies de plantas e animais e áreas aquáticas e de flora e definem o nível de proteção existente, se é que ele existe.

Uma vez que as espécies são localizadas e ranqueadas, a organização identifica as áreas que são lares de espécies ameaçadas e cria projetos específicos de proteção para essas áreas.