Alterações no ouvido

Autor: 
Isabela Benseñor

As viagens de avião ocorrem em grandes altitudes, em geral em torno de 10.000 m de altura. É importante lembrar que à medida que a altitude aumenta, a pressão do ar diminui e fica muito mais baixa do que, por exemplo, se você estivesse em uma cidade à beira do mar. Para evitar que você se sinta mal e falte oxigênio, as cabinas dos aviões são pressurizadas como se você estivesse a uma altitude em torno de 2.000 m acima do nível do mar. Portanto, é um pouco diferente do normal.

Por causa da queda na pressão, o oxigênio no ar respirado diminui e os gases dentro do nosso corpo aumentam de volume. Em geral, as pessoas conseguem suportar bem essa mudança de pressão, mas podem acontecer problemas no ouvido.

Dentro do ouvido médio, a pressão normalmente é igual a de fora do nosso corpo. Quando a pressão na cabina do avião cai, cria-se uma diferença de pressão entre o ouvido médio e o ambiente da cabina. Isso pode provocar uma complicação chamada de barotrauma. Quando isso acontece, a pessoa sente uma pressão forte dentro do ouvido e, às vezes, dor.

Como funciona o equilíbrio das pressões dentro do ouvido?

O ouvido médio fica separado do meio ambiente por uma membrana chamada de tímpano; por outro lado ele se comunica com o meio ambiente por uma abertura chamada de trompa de Eustáquio, que se abre dentro da porção nasal da faringe. Quando aumenta a pressão dentro do ouvido médio, esse aumento de pressão é equilibrado com a pressão do meio ambiente pela trompa de Eustáquio. Quando o avião ganha altitude, a pressão atmosférica reduzida dentro da cabina do avião faz com que os gases dentro do ouvido médio se expandam. Esse aumento da pressão é drenado para o ambiente pela trompa de Eustáquio. Quando o avião vai perdendo altitude próximo da aterrissagem, há uma contração do volume dos gases dentro do ouvido médio. A trompa de Eustáquio não permite que o ar do meio ambiente entre no ouvido médio. Para fazer isso, você precisa comandar a abertura da trompa de Eustáquio para que ela permita que o ar entre dentro do ouvido médio.

O barotrauma em geral acontece nesses casos. Para evitar o barotrauma, você tem que realizar movimentos como se você estivesse mastigando, ou de fato mascar um chiclete. Esse tipo de movimento faz com que o ar entre na trompa de Eustáquio e reequilibre as pressões dentro e fora do ouvido médio. O risco de barotrauma é maior em crianças, que têm uma trompa de Eustáquio mais estreita, e em pessoas resfriadas ou com rinite alérgica, são situações em que a trompa de Eustáquio entupida tem mais dificuldade em equilibrar as pressões. Outro jeito de equilibrar as pressões é expirando o ar do pulmão com a boca fechada e o nariz tapado. Faça isso delicadamente. Isso se chama manobra de Valsalva. Nas crianças, o jeito mais fácil é fazer com que elas bebam líquidos na aterrissagem ou na decolagem. Nos bebês muito pequenos, a possibilitar é amamentar ou dar mamadeira nesses períodos.

O risco de barotrauma (trauma causado por pressão) costuma ser maior na aterrissagem do que na decolagem. De qualquer maneira, uma atitude que evita problemas é estar acordado durante a decolagem e a aterrissagem porque aí você, ativamente, pode realizar as manobras que ajudam a equilibrar a pressão no ouvido médio com a do meio ambiente. Por isso, também é importante que você não use calmantes ou remédios que dão sono ao viajar.

Como evitar problemas de saúde em viagens de longa duração
Diagrama do ouvido cedido pela NASA

Além da dor, e da sensação de pressão dentro do ouvido, pode ocorrer uma diminuição da audição. Nos casos mais graves pode ocorrer ruptura da membrana do tímpano, com surdez temporária. Como o ouvido também é um os mecanismos de controle do equilíbrio, junto com esses sintomas pode ocorrer sensação de tontura ou vertigem.

Todos esses sintomas costumam passar algumas horas depois da aterrissagem. Na persistência dos sintomas, recomenda-se procurar auxílio médico.