Se você fosse retirado de uma fila pelo posto de controle de segurança de um aeroporto e pudesse optar entre uma revista manual e um raio X muito revelador, qual você escolheria? Em um teste realizado durante três meses no Sky Harbor International Airport, em Phoenix, no dia 23 de fevereiro de 2007, a maioria dos passageiros escolheu o raio X, conhecido como sistema de Raio X Z Backscatter. A tecnologia Backscatter pode detectar objetos que não poderiam ser visualizados pelas máquinas de raio X comuns e por detectores de metal, como, por exemplo, facas de cerâmica, drogas e explosivos líquidos.

Essa tecnologia causou uma grande polêmica em relação à privacidade quando foi divulgada como um possível complemento à segurança nos aeroportos. O scanner do raio X por dispersão vê através das roupas, podendo produzir imagens com qualidade fotográfica. Na teoria, os passageiros selecionados para uma revista adicional com o sistema de dispersão poderiam ser observados intimamente dentro de cabines pelos funcionários do aeroporto.

O funcionamento do sistema por dispersão é diferente dos scanners comuns de raio X que fazem uma verificação da sua bagagem de mão nos aeroportos.

Os scanners nos quais colocamos nossa bagagem de mão são, em geral, sistemas de raio X de energia dupla. Nesse tipo de sistema, a fonte de raio X emite um único feixe. Diferentes tipos de materiais - orgânico, inorgânico e metálico, por exemplo - reagem de forma diferente ao raio X, que, basicamente, são fótons de luz de alta energia. Dependendo das propriedades atômicas e de densidade de um objeto ele pode absorver os raios X, deixá-lo passar ou dispersá-los sob impacto. Materiais orgânicos, como seda, bananas e líquidos explosivos, tendem a deixar os raios X passarem através deles. Em um sistema de energia dupla, depois que os raios X interagem com os objetos da sua bagagem de mão, eles têm três obstáculos: um detector que seleciona o padrão criado por absorção de alta ou baixa energia e passagem, um filtro que remove os raios X de energia menores e um detector de alta energia, que seleciona o padrão da absorção de raio X de alta energia e passagem. Um programa de computador compara as imagens dos dois detectores a fim de fornecer uma imagem nítida e codificada por cores dos diferentes tipos de materiais dentro da bagagem. É a comparação da imagem do primeiro detector com a imagem do último que destaca os "objetos de baixa energia" - geralmente material orgânico - na bagagem.

O sistema Z Backscatter desenvolvido pela American Science and Engineering funciona de forma diferente. Em vez de confiar em imagens criadas pelas propriedades de absorção e passagem dos objetos submetidos ao raio X, o sistema Backscatter captura imagens produzidas quando o material dispersa fótons de raio X. Um padrão de dispersão é mais específico que um padrão de absorção quando relacionado a identificação de material orgânico. Um padrão de dispersão é alterado de acordo com o elemento com o qual ele está interagindo - carbono, hidrogênio ou lítio, por exemplo. Elementos com números atômicos menores (menos prótons) na tabela periódica dispersam fótons de raio X com mais intensidade, enquanto os elementos localizados mais abaixo na tabela periódica tendem a absorver mais fótons do que eles dispersam. A maioria do material orgânico está localizada mais no início da tabela periódica. Assim, os sistemas de dispersão são excelentes na geração de imagem de material orgânico - muito mais do que os sistemas de energia dupla. Eles capturam com facilidade os padrões de dispersão de drogas e explosivos e partes do corpo. Essa capacidade de detectar e identificar material orgânico, aliada a uma tecnologia chamada "Flying Spot" que permite que a máquina indique o local de um feixe de raio X específico em um momento específico, permite que as imagens de dispersão sejam absolutamente precisas e reais.

É por esse motivo também que algumas pessoas se opõem à incorporação da tecnologia em postos de segurança dos aeroportos. A maioria não quer que estranhos vejam imagens incrivelmente precisas e reais de seus corpos. E, sim, é possível aos raios X por dispersão produzir imagens com qualidade fotográfica daquilo que está por baixo de nossas roupas. Mas, até o momento e por questões de privacidade, o show de observação em cabines fechadas tem sido destorcido: o contorno dos passageiros que passam pelo sistema de raio X tem sido mais parecido com caricaturas e não imagens com qualidade fotográfica, e as áreas íntimas aparecem borradas.

Imagens de Raio-X por dispersão
Imagem cortesia da AP
À esquerda: o tipo de imagem que o sistema de teste em Phoenix tem produzido 
À direita: o que o Backscatter é capaz de fazer

Muitos querem saber como então o sistema pode, de fato, ajudar na segurança. E o fabricante, a American Science and Engineering, Inc., admite que a distorção da imagem realmente diminui a utilidade da máquina. E se um homem grudar um frasco de explosivos líquidos em seus testículos? Esse é um dos problemas que o teste em Phoenix espera resolver. Um sistema de dispersão pode aumentar a segurança se suas imagens são obscuras?

Outra questão de privacidade relacionada aos raios X por dispersão tem a ver com exposição a radiação. Nós não recebemos raio X regularmente e quando o fazemos em um hospital ou em um consultório médico, recebemos um avental de chumbo para proteger os órgãos vitais. Mas, nos aeroportos, não há nenhum avental. Assim, as pessoas que viajam com freqüência estão sujeitas a níveis perigosos de radiação se recebem os raios X por dispersão regularmente? A maioria dos especialistas diz que não. De acordo com o Health Physics Society (HPS), uma pessoa que passa por um scanner de dispersão recebe aproximadamente 0,005 mrem (unidade de radiação absorvida). A American Science and Engineering, Inc., na verdade, aumenta um pouco esse número para 0,009 mrem. De acordo com os órgãos regulamentares dos Estados Unidos, 1 mrem por ano é uma dose insignificante de radiação, e 25 mrem por ano de uma única fonte é o limite máximo para exposição segura a radiação. Usando os números da HTS, seriam necessárias 200 exposições por dispersão ao ano para atingir uma dose insignificante de radiação - 1 mrem. Você recebe 1 mrem em três horas em um avião, em dois dias em Denver ou em três dias em Atlanta. E seriam necessárias 5 mil exposições ao ano para se atingir o limite máximo de segurança. Um passageiro teria que receber 100 exposições por dispersão por semana, toda semana, durante um ano para estar em perigo real com a radiação. Poucos passageiros viajam de avião com essa freqüência.

 

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