Introdução

São Paulo tem mil opções culturais para sua população e visitantes. A cidade tem em torno de 350 bibliotecas, 280 cinemas, 300 espaços culturais, entre teatros, centros culturais e museus, segundo levantamento da Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados), além de uma centena de eventos, alguns que fazem parte do circuito internacional das artes. Essa quantidade de equipamentos culturais possibilita à cidade mostrar uma diversidade de estéticas, gêneros e culturas, que se mesclam continuamente e fazem surgir novas linguagens e propostas artísticas.

Ser uma miscelânea cultural é uma realidade em São Paulo desde o seu processo de urbanização e industrialização, no final do século 19 e começo do 20. Portugueses, italianos, japoneses, sírios, libaneses, alemães, nordestinos, bolivianos, católicos, judeus, protestantes, muçulmanos. Desde lá, em cada momento histórico, a cidade tem recebido contingentes de pessoas em busca de iniciar uma nova vida. E elas trazem conjuntos de valores e crenças que acabam se misturando a tantos outros existentes, o que ajudam São Paulo a tornar-se uma cidade cosmopolita, um lugar para cidadãos do mundo. Um dos resultados desse processo é que a produção artística paulistana em alguns momentos extrapola uma visão provinciana e torna-se universal, isto é, identificada com a vida em outras metrópoles ao redor do planeta.

Vista do MASP
Foto: Elza Pereira/Lunapress
O MASP tem o acervo de arte mais importante do país
Esse processo de transformação de São Paulo em um lugar revelador de uma diversidade cultural teve seu primeiro grande momento com a Semana de Arte Moderna, que foi realizada em 1922, propositadamente no ano do centenário da Independência do Brasil, no Teatro Municipal. O movimento buscou colocar as artes do país em contato com as propostas das vanguardas européias da época e a partir daí incentivar a criação de uma arte brasileira autônoma.

Uma das conseqüências disso foi a criação do conceito de antropofagia cultural, pelo escritor e dramaturgo Oswald de Andrade ainda nos anos 20. Ele propôs que o processo tipicamente brasileiro de criação artística não ignorasse as influências estrangeiras, mas, assim como o selvagem que devora e assimila apenas o que interessa e destrói todo o resto, fizéssemos o mesmo culturalmente. Esse conceito influenciaria quatro décadas depois o movimento tropicalista, que capitaneado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Os Mutantes, realizaria uma modernização de nossa canção popular justamente ao misturar elementos do rock internacional com temas e gêneros nacionais.

Cultura paulistana em números

362 bibliotecas
destaque: Biblioteca Mário de Andrade com acervo de 3,2 milhões de itens

280 salas de cinema
destaque: Mostra Internacional de Cinema apresenta mais de 400 filmes em cerca de 20 salas de
exibição entre outubro e novembro

151 salas de teatro
destaque: Teatro Municipal com influências da Ópera de Paris e arquitetura exterior com  traços renascentistas barrocos do século XVII

88 museus
destaque: MASP, MAM e MAC USP reúnem 22 mil obras de arte, o maior acervo do Hemisfério Sul

80 centros culturais, oficinas e casas de cultura
destaque: Centro Cultural São Paulo oferece programação de teatro, dança, música, artes
visuais, cinema, oficinas, debates e cursos, além de manter expressivos acervos, em uma área de 46.500m2

Fontes: Fundação Seade e Prefeitura de São Paulo