São Paulo e suas peculiaridades têm inspirado compositores dos mais diferentes gêneros – dos sambas de Adoniran Barbosa aos rocks de Rita Lee, passando pelos baianos Caetano Veloso, Tom Zé e Gilberto Gil. Além disso, a cidade tem também dado a sua contribuição para criar novos gêneros na canção popular.
Enquanto ganhou a fama de “túmulo do samba”, apesar de ter gerado compositores como Paulo Vanzolini, Adoniran Barbosa, Geraldo Filme e Eduardo Gudin, São Paulo adotou o rock'n'roll como uma de suas marcas registradas. O rock paulistano começa a ganhar cara a partir da segunda metade dos anos 60 com os sucessos de Os Mutantes, Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Casa das Máquinas, Joelho de Porco e Wallter Franco. Era uma época em que a cidade sediava as gravações do programa Jovem Guarda, na TV Record, que projetava nacionalmente os fundamentos de uma nova cultura jovem.
O rock paulistano era basicamente uma reprodução do norte-americano e do britânico, variando de um blues pesado ao progressivo e psicodélico. A exceção era Os Mutantes. O grupo, formado por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, inovava ao misturar rock com elementos brasileiros, desde a batucada até a macumba. A banda contribuiu essencialmente na amplitude estética e na importância que o movimento tropicalista teve na cultura brasileira. O grupo conseguiu com o tempo ganhar ares de cultuado e fãs entre consagrados artistas do rock internacional como Kurt Cobain, do Nirvana.
Outras contribuições importantes da cidade para a canção popular acontecem durante a década de 80. Um movimento que ficou conhecido como Vanguarda Paulista surge em torno do Teatro e Gravadora Lira Paulistana. Artistas como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Tetê Espíndola e os grupos Rumo, Premeditando o Breque e Língua de Trapo, entre outros, propuseram uma nova estética para a canção, baseada principalmente na introdução de sonoridades mais experimentais, como o dodecafonismo, e letras para serem mais faladas do que cantadas. A Vanguarda Paulista propôs uma renovação da MPB, mas seu alcance ficou restrito a São Paulo, apesar dela ter lançado artistas que ganhariam projeção nacional como Arnaldo Antunes.
Parte da canção jovem paulistana dos anos 80, e também do Tropicalismo, foi influenciada por um movimento estético que no Brasil teve a cidade de São Paulo como epicentro três décadas antes: o concretismo. Com implicações principalmente na poesia e nas artes plásticas, o movimento concretista tinha em seu núcleo três poetas paulistas: os irmãos Haroldo e Augusto de Campos e Décio Pignatari. A proposta do grupo paulista era destacar o espaço gráfico e a visualidade dos poemas, para eliminar a distinção entre forma e conteúdo e possibilitar múltiplas leituras por parte do público. À proposta paulista surgiu uma oposição por parte do grupo concretista sediado no Rio de Janeiro, o que resultaria no final da década de 50 numa ruptura e no surgimento do movimento neoconcretista, em que um dos expoentes é o poeta e crítico Ferreira Gullar.
A participação da cidade no pop-rock brasileiro que eclode nos anos 80 é essencial. De São Paulo saíram muitos dos principais nomes daquela geração como Titãs, Ultraje a Rigor, Ira!, Gang 90 e As Absurdettes, Os Inocentes, Kid Vinil, Cólera e Ratos do Porão. A cidade foi também adotada por grupos que vieram de outros estados, como Capital Inicial e Camisa de Vênus. O caos da vida urbana paulistana e as expressões características da cidade acabaram influenciando as canções dessas bandas.
Outra característica da cultura musical e jovem paulistana, principalmente nas periferias, é a cultura do hip-hop, baseada no rap (acrônimo para rhythm and poetry, em inglês), gênero musical que enfatiza um canto falado. O rap surge na Jamaica mas ganha projeção a partir dos subúrbios de Nova Iorque. No trabalho dos grupos e artistas paulistanos, como Racionais MC e Rappin Hood, predomina uma reprodução da estética e da atitude do rap norte-americano.
No começo do novo século, São Paulo viu surgir dois novos fenômenos na música contemporânea: o grupo Cansei de Ser Sexy e os DJs tipo exportação. O Cansei de Ser Sexy surge em 2003 com uma proposta de fazer um pop contemporâneo com letras predominantemente em inglês. O grupo ganha projeção fora do Brasil e passa a fazer turnês internacionais na Europa, Estados Unidos e Japão, tornando-se uma banda “cult” entre os iniciados em cultura pop. Outro fenômeno típico da cidade é a consagração dos DJs. Com o predomínio da música eletrônica e dos remixes nas pistas de dança dos clubes e danceterias, o DJ (disc jockey, em inglês) foi alçado à categoria de artista. Dos clubes noturnos e danceterias paulistanas têm saído nomes para discotecar em importantes pistas de danças no Exterior. Entre os que se destacam estão DJ Patife, Mau Mau e DJ Marky Mark.
![]() Foto: Fernando Fernandes/Lunapress Auditório do Ibirapuera, um dos espaços para shows na cidade |
As séries de concertos de música erudita, assim como as apresentações de orquestras internacionais e espetáculos de ópera, também têm passagem obrigatória pelo município. Além disso, a cidade sedia a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, uma das mais respeitadas no Brasil e no Exterior, que oferece uma temporada de concertos na Sala São Paulo, um dos melhores espaços para se ouvir música erudita no país.