Por favor, passe pelo detector de metais

Todo o acesso público a um aeroporto é canalizado através do terminal onde cada pessoa precisa passar pelo detector de metal e todos os seus pertences precisam passar pela máquina de raios-X.

No Brasil e mesmo fora dele, a maior preocupação com a bagagem de mão e as despachadas é a presença de objetos que podem ser usados como arma. Portanto, utensílios cortantes e suspeitos ou não são permitidos na aeronave ou devem ser entregues à tripulação do avião. Os pertences apreendidos são devolvidos aos passageiros somente no desembarque. Uma simples tesourinha de unha, por exemplo, deve ser retirada da bagagem. Veja abaixo os itens que não devem constar em sua bagagem:

  • agulhas
  • alicates de unha
  • canivetes
  • estiletes
  • facas
  • pinças
  • tesouras
  • objetos cortantes em geral

Quase todos os detectores de metais dos aeroportos são baseados na indução de pulso (PI). Os sistemas PI usam uma bobina de um lado do pórtico como um transmissor e receptor. Essa tecnologia emite breves e poderosos pulsos de corrente. Cada pulso gera um breve campo magnético. Quando o pulso termina, o campo magnético reverte a polaridade e sofre uma queda súbita, resultando em um bloqueio elétrico agudo. Este bloqueio dura alguns microsegundos (milionésimos de segundo) e faz com que uma outra corrente passe através da bobina. Esta segunda corrente é chamada de pulso refletido e dura aproximadamente 30 microsegundos. Outro pulso é enviado e o processo se repete. Um detector de metais envia aproximadamente 100 pulsos por segundo, mas o número pode depender muito do fabricante e modelo, variando entre 25 e mais de 1 mil por segundo.


Imagem cedida por L-3 Communications
Os detectores de metais dos aeroportos confiam na indução de pulsos

Se um objeto passa por um detector de metais, o pulso cria nele um campo magnético oposto. Quando esse campo declina causando o pulso refletido, o campo magnético do objeto retarda o desaparecimento. Esse processo funciona como o eco: se você gritar em uma sala onde haja poucas superfícies sólidas, provavelmente ouvirá um breve eco, ou mesmo nenhum. No entanto, se gritar onde haja muitas superfícies sólidas, o eco vai durar mais tempo. Em um detector de metal PI, os campos magnéticos dos objetos alvejados acrescentam o seu "eco" ao pulso refletido, fazendo-o durar por uma fração maior do que seria sem eles.

Um circuito de amostragem é acionado no detector de metais para monitorar a extensão do pulso refletido. Ao compará-lo com a extensão esperada, o circuito pode determinar se um outro campo magnético fez o pulso refletido levar mais tempo para declinar. Se a queda desse pulso leva mais do que alguns microsegundos normais, significa que um objeto de metal está fazendo interferência.


A demonstração da tecnologia PI

O circuito de amostragem envia sinais pequenos e fracos e monitora-os para um dispositivo chamado integrador. Ele lê os sinais no circuito de amostragem, amplificando-os e convertendo-os em corrente contínua (DC). A voltagem DC está conectada a um circuito de áudio, em que é transformada em som, usado pelo detector de metais para indicar que um objeto alvo foi encontrado. Nesse caso, você será solicitado a remover todos os objetos de metal que esteja carregando e a passar novamente através do detector. Se ele continuar indicando a presença de metal, o atendente usa um detector manual, baseado na mesma tecnologia, para isolar a causa.

Muitos dos novos detectores disponíveis no mercado são multizona. Basicamente, é como ter diversos detectores em uma única unidade.

Na próxima seção abordaremos o que acontece com os seus pertences enquanto você passa pelo detector de metais.