Os passageiros e a tripulação do Titanic

Os projetistas do Titanic tinham discernimento e praticidade, mas eles também tomaram muito cuidado para garantir que todos, desde os passageiros bem de vida até os viajantes mais pobres próximos à casa de máquinas tivessem uma experiência marcante. Eles sabiam que muitos dos passageiros da terceira classe estavam imigrando para os Estados Unidos, e queriam que a travessia fosse um momento memorável que desse a essas pessoas uma sensação de esperança quanto ao que estava por vir em suas novas vidas [fonte: RMS Titanic - em inglês]. Para esse fim, até mesmo as salas da terceira classe eram privadas e fechadas - um mínimo de luxo por si só.

Elegantemente atrasados

Na manhã de 10 de abril, quando os passageiros embarcaram no Titanic em Southampton, os viajantes da segunda e terceira classe entraram por volta das 9h30 da manhã. Já os passageiros da primeira classe não embarcaram antes das 11h30 da manhã, menos de uma hora antes da partida. Uma orquestra foi organizada para acompanhar o embarque.

O navio zarpou de seu ponto de lançamento em Belfast para Southampton, Inglaterra, em 3 de abril de 1911. O Titanic pegou seus passageiros em Southampton, e então seguiu para Cherbourg, França, e Queenstown, Irlanda, para recolher o resto. No total, havia 2.208 passageiros e 899 oficiais e membros da tripulação. Entre esses passageiros, 329 eram viajantes da primeira classe, 285 da segunda e 710 da terceira [fonte: Titanic Inquiry Project - em inglês]. A primeira classe consistia principalmente de ricos industriais e suas famílias, entre eles John Jacob Astor IV e até mesmo J.P. Morgan - que foi obrigado a cancelar sua passagem devido a conflitos de negócios. Entre os passageiros da segunda classe estavam homens de negócios e membros do clero (até mesmo um professor e um chofer estavam registrados como viajantes da segunda classe). A terceira classe, ou porão , consistia principalmente de imigrantes europeus.

Titanic specs

Existem algumas discrepâncias nos registros de passageiros, devido às viagens canceladas, transferências para outros navios e pelo fato de alguns passageiros e membros da tripulação terem sido simplesmente deixados para trás. Alguns dos passageiros trocaram ou venderam seus bilhetes de embarque, e os nomes dos passageiros alternativos não chegaram a ser registrados. As hoje lendárias histórias de pessoas como os três irmãos Slade, que depois de embriagarem-se nos pubs de Southampton tiveram seus direitos de embarque negados, ou a Sra. Edward W. Bill, que se recusou a embarcar após um pesadelo em que o Titanic afundava, inspiraram a criação de um clube "Simplesmente Perdi" [fonte: Eaton - em inglês]. De acordo com um relato de abril de 1912 no Milwaukee Journal, cerca de 6 mil foram providencialmente salvas do desastre do Titanic após perder o embarque ou mudar seus planos de viagem. O fato de que o navio podia acomodar apenas cerca de 2.500 passageiros mostra que algumas dessas histórias de pessoas que perderam o embarque não são muito confiáveis.

Mas aqueles que embarcaram no Titanic o fizeram a um alto custo. As passagens da primeira classe custavam entre US$ 2.500 e US$ 4.500 (que em valores do mercado atual significam entre US$ 43.860 e US$ 78.950); as passagens da terceira classe podiam ser obtidas por cerca de US$ 35 (US$ 620 atuais) [fonte: Titanic Aquatic]. Se você estivesse disposto a gastar pra valer, poderia conseguir um quarto particular e banheiros semi-particulares.

As acomodações da terceira classe eram relativamente luxuosas, com instalação de esgotos sofisticada (mesmo que houvesse apenas duas banheiras para serem partilhadas entre 700 passageiros da terceira classe) e colchões de verdade, em vez de catres de madeira com montes de palha para se deitar, como costumava ser em outros navios. Os aposentos da terceira classe acomodavam até quatro pessoas, e na maioria dos casos, as acomodações eram partilhadas entre estranhos. Nesses aposentos, as vibrações dos enormes e massivos motores do navio podiam ser sentidas e ouvidas.

Fora esses incômodos, a tripulação do Titanic trabalhava duro para garantir que todos tivessem uma viagem confortável. Além da banda e dos membros no convés e nos departamentos de máquinas e abastecimento (culinária) havia o capitão do navio, Edward John Smith, e Thomas Andrews, o projetista principal do navio. Apesar do registro de navegação destacado de Smith e do navio supostamente inafundável de Andrews, a viagem inaugural do Titanic estava condenada.