A colisão do Titanic com o iceberg

Autor: 
Candance Gibson

A noite de 14 de abril de 1912, o terceiro dia da viagem inaugural do Titanic, foi extremamente fria - a temperatura da água estava por volta de -2.2°C. Por volta da tarde daquele dia, os operadores de telégrafo do Titanic receberam a primeira de pelo menos quatro mensagens cautelares sobre grandes formações de gelo adiante. Uma segunda mensagem chegou às 17h35 de um navio que relatou três icebergs a apenas cerca de 30 km ao norte do trajeto do Titanic. E apenas uma hora antes da colisão do Titanic, às 23h40, uma embarcação chamada Californian comunicou ao Titanic, "Estamos presos e cercados por gelo." A resposta do Titanic? "Cale-se. Estou ocupado. Estou falando com Cabo Race" [fonte: Titanic Inquiry Project - em inglês].

Iceberg
© istockphoto.com / Jesper Strandgaard Mortensen
Iceberg

 

Qualquer que fosse a conversa que o operador do Titanic estava mantendo com Cabo Race, não podia ter sido mais urgente do que o aviso do Californian. Ainda assim, a ameaça de gelo foi ignorada. Não foi apenas o operador que deixou de dar atenção ao perigo (embora o operador de telégrafo do Californian tenha posteriormente dito que ouviu o homem "tirar os fones de ouvido e dar meia volta") - o ilustre capitão também não deu atenção [fonte: Titanic Inquiry Project - em inglês]. O capitão Smith não estava preocupado com icebergs. Afinal, o Titanic era um leviatã de aço. Sua preocupação era esmagar os recordes de velocidade estabelecidos por outros navios a vapor. Ele disse a um oficial chamado Lightoller, que estava na Ponte de Comando, que se a noite ficasse muito enevoada, ele deveria ser alertado imediatamente e reduzir a velocidade do navio.

O iceberg

Os cientistas não sabem ao certo o quão grande era o iceberg, mas as
estimativas o enquadram entre aproximadamente 15 e 30 m de
altura e entre 60 e 12 m de comprimento. Pode ter sido apenas
um dos muitos icebergs posicionados na latitude 41 graus e 46
minutos Norte e longitude 50 graus e 14 minutos Oeste - cerca de 13 milhas
náuticas (24 km) de distância do local onde as ruínas do Titanic jazem abaixo
da superfície do Oceano Atlântico Norte [fonte: Titanic-Nautical Society & Resource Center].

Mas a noite estava limpa, e o Titanic seguiu acelerando. Frederick Fleet e Reginald Lee estavam no posto de observação. Fleet estava perto de terminar o seu turno quando viu o iceberg previsto. Eles soaram o alarme e chamaram a ponte. Passaram-se 37 segundos antes que o Primeiro Oficial William M. Murdoch desligasse todos os motores, baixasse as portas à prova de água nos compartimentos inferiores e manobrasse o navio de forma que o iceberg batesse na lateral [fonte: RMS Titanic, Titanic Inquiry Project - em inglês]. Murdoch reagiu tão bem quanto ele poderia diante do perigo, porém, o Titanic não tinha tempo suficiente para fazer uma parada completa ou desviar-se do iceberg. Para parar o navio seriam necessários cerca de 800 m. E o iceberg estava parado ameaçadoramente a cerca de meros 274 m do navio.

Durante alguns minutos, parecia que a manobra havia funcionado. Olhando da superfície, parecia que o navio tinha se desviado do iceberg, mas por baixo, um fragmento de gelo havia rasgado um buraco no casco do Titanic. Se o navio balançou, deve ter sido um balanço sutil que passou despercebido ou foi confundido com o barulho do maquinário. Quando Thomas Andrews e o Capitão Smith verificaram os danos resultantes da inundação, consideraram que o buraco deveria ter cerca de 90 m. Na verdade, o rasgo era bem modesto - seis pequenas lacerações medindo cerca de 1 metro quadrado.

Titanic's damaged compartments

Mas a navegação apressada de Murdoch havia manobrado o navio de sua posição mais resistente contra impactos para a mais vulnerável, onde até mesmo a menor farpa causou resultados catastróficos. Andrews observou preocupadamente que cinco dos compartimentos do navio já haviam começado a inundar-se, e fez o sombrio anúncio de que o navio afundaria - não havia dúvidas quanto a isso. Ele previu que eles tinham por volta de uma hora ou uma hora e meia antes que o gigante deslizasse para as profundezas do Atlântico.