O capitão Smith aceitou que seu navio estava afundando, e agiu com rapidez para salvar seus passageiros e sua tripulação. À 00h15, ele entrou na sala do telégrafo para enviar uma série de mensagens de socorro. Uma das embarcações que responderam foi o Carpathia, um navio a vapor da Cunard Line. O Carpathia estava aproximadamente a 93 km de distância, e não conseguiria alcançar o Titanic antes que ele afundasse. O Californian estava mais próximo do Titanic, mas o operador de telégrafo do navio não podia decodificar o sinal Marconi usado pelo Titanic. Smith também instruiu que foguetes fossem disparados a cada cinco minutos [fonte: RMS Titanic - em inglês]. Porém, quaisquer embarcações que tivessem visto os fogos não poderiam cruzar as perigosas formações de gelo para auxiliar o navio que afundava.
Devido à colisão com o iceberg ter sido tão sutil, praticamente nenhum passageiro percebeu que o navio estava em perigo. Eles continuaram com seus afazeres noturnos - alguns confraternizavam-se nos saguões enquanto outros dormiam em suas cabines. Os membros da tripulação foram mobilizados para a ação, mas não houve nenhum anúncio formal para o navio inteiro de que o Titanic estava afundando. As pessoas que ouviram rumores de uma emergência os ignoraram; afinal de contas, o navio era inafundável. Em vez disso, uma situação apressada e calamitosa aos poucos deu espaço para o caos, quando ficou claro que o navio não estava equipado com botes salva-vidas em quantidade suficiente para garantir a segurança de todos.
Embora houvesse abundância de coletes salva-vidas de cortiça, só havia espaço para 1.176 passageiros nos botes - e havia 2.208 passageiros e 899 tripulantes a bordo. À 00h25, o capitão ordenou à sua tripulação que começasse a baixar os primeiros botes salva-vidas e conduzissem os passageiros da primeira classe para o convés dos botes. Havia 14 botes, capazes carregar 65 pessoas cada (910 no total), dois barcos de emergência capazes de carregar 35 pessoas cada (70 no total) e quatro botes infláveis capazes de carregar 49 pessoas cada (total de 196) [fonte: Titanic Inquiry Project - em inglês]. O primeiro bote nem foi aproveitado ao máximo de sua capacidade - ele levou 12 pessoas.
Conforme a água do oceano subia cada vez mais dentro do navio, os passageiros da primeira e segunda classes eram guiados em blocos para o convés mais alto. Os passageiros da terceira classe foram detidos nos conveses inferiores e só puderam subir ao convés dos botes após os membros da primeira e segunda classe terem sido contados. John Hart, comissário de bordo da terceira classe, encarregou-se de guiá-los pela rota de evacuação adequada. Muitos membros da terceira classe nunca haviam chegado a se afastar muito de suas cabines, e acabaram se perdendo nos corredores labirínticos do navio.
A essa altura, a popa do navio estava impressionantemente fora da água, enquanto a proa afundava para a frente. Ela se elevava dramaticamente com a altura de um prédio de 25 andares. Trinta e uma mil toneladas de água haviam invadido o navio, e Smith dispensou oficialmente a sua tripulação do seu dever para que eles pudessem escolher como aceitar seus destinos [fonte: Titanic Aquatic]. As luzes piscantes finalmente cederam às trevas, e a antena de rádio foi cortada quando a segunda chaminé partiu-se e caiu sobre o convés. Às 2h20 da manhã, o navio afundou no Atlântico.