RMS Titanic e Robert Ballard - redescobrindo o gigante de aço

O aspecto humano da tragédia do Titanic continua a fazer eco nas memórias das pessoas, mas não foi antes do fim do século 20 que os cientistas decidiram engajar-se ativamente na busca pelos restos do próprio navio. Essa busca foi mais desafiadora do que muitos exploradores haviam imaginado inicialmente. Para começar, ninguém sabia ao certo onde os destroços estavam localizados - eles apenas tinham os registros das coordenadas finais do navio a partir dos pedidos de socorro que ele enviou. Além disso, não existiam submergíveis que pudessem suportar as pressões exercidas no fundo do leito oceânico do Atlântico a uma profundidade estimada de 4 km. Para encontrar o navio seriam necessários muita sorte e muito dinheiro.

Em 1981, um rico barão do petróleo texano chamado Jack Grimm disse ter localizado o naufrágio. Sua expedição, conduzida com toda a bravura de um caubói destemido, era uma gigantesca hélice no fundo do Atlântico, mas buscas adicionais não produziram mais pistas. O Dr. Robert Ballard, um oceanógrafo do Instituto Woods Hole, em Massachusetts, aprendeu com o engano de Grimm, e planejou o uso de um sonar para reconhecimento de uma larga faixa do Atlântico. Ballard desenvolveu o Argo, um submersível de pesquisa batizado em homenagem à lenda grega de Jasão e os Argonautas. O Argo era um submersível não-tripulado e equipado com câmeras de vídeo. Ele era controlado por Ballard e sua equipe a bordo do barco de pesquisas. Eles podiam observar as descobertas do Argo pela transmissão de video do sonar. A Marinha dos EUA financiou um teste de três semanas com o Argo no verão de 1985, mas a expedição fracassou.

Ballard reavaliou seus métodos. Ele determinou que seria mais provável achar o campo previsto de 4 km de detritos espalhados do que localizar o próprio navio. Usando os diários de bordo do Californian, Ballard rastreou a trajetória de deriva dos botes salva-vidas até a localização do desastre propriamente dito. E esse método funcionou: em 1° de setembro de 1985, a equipe de Ballard encontrou uma das caldeiras do Titanic. O Argo continuou a rastrear o leito oceânico, e finalmente revelou o casco gigantesco do navio. A expedição de Ballard apresentou mais pistas com o desenvolvimento da Jasão Júnior, uma câmera de vídeo ainda mais sofisticada.

Essas explorações iniciais abriram o caminho para futuros arqueólogos visitarem os destroços pessoalmente. Os cientistas e historiadores continuam a buscar e avaliar avidamente os destroços. Quando visitam o local, costumam reservar entre 12 e 15 horas - a viagem de ida e volta para alcançar o navio e retornar dura cerca de cinco horas. A maioria vai para observar e relatar o estado do Titanic. Embora o Titanic repouse em águas internacionais (cerca de 400 milhas náuticas de distância a sudeste de Newfoundland), a RMS Titanic, Inc. tem os direitos de posse ao resgate do navio. A RMS Titanic, Inc., recuperou quase 5.500 artefatos dos destroços. Debaixo da água, cerca de 420 quilogramas por centímetro quadrado de pressão são exercidos sobre esses objetos, e em nome da preservação histórica, os cientistas julgaram necessário retirá-los do Atlântico [fonte: Titanic Aquatic].

Atualmente, existem discussões sobre se os restos do navio devem ser trazidos à superfície. Não há maneira viável de preservar o Titanic debaixo da água, onde micróbios devoradores de ferro estão praticamente devorando-o. Os cientistas dizem que em cerca de 40 a 90 anos, os frágeis restos do Titanic irão implodir [fonte: Titanic Aquatic]. É uma questão de física e ética. O navio pode ser içado com segurança para terra firme sem ser danificado? E caso possa, nós devemos erguer esse cemitério submarino?

Se o Titanic deve ser preservado, ele terá de ser escavado do Atlântico. E se ele for, os frequentadores de museus sem sombra de dúvida ficarão chocados com seu estado de conservação. Ele ainda é uma peça massiva de aço, mas diversas formações semelhantes a pingentes de gelo assustadores gerados no mar, grudaram-se no casco e balançam nas águas oceânicas, penduradas em suas amuradas. As memórias da majestade imperfeita do Titanic permanecem como uma parte vibrante da história, e talvez daqui a um século essas memórias devam ser o suficiente.