O jeito mais fácil de saber o quanto o Nepal fatura com o turismo é ver em detalhes no que o turista do Everest gasta. Você poderá se surpreender com a rapidez com que os números sobem.
Se você for um dos 25 mil turistas anuais do Everest, entrar no Nepal para uma estadia de mais de 3 dias só vai custar US$ 30 [fonte: Conselho de Turismo do Nepal]. Mas isso é só o início da conta. Se você deseja escalar uma das maiores montanhas do Himalaia (em inglês), então precisará de uma permissão emitida pelo governo. Embora você possa escalar de graça mais de uma centena de picos menores, quem deseja brincar na caixa de areia quando a praia está logo ali?

As montanhas mais altas, com mais de 6.500 metros, são propriedades premium. Essa altura básica custa US$ 1.000 e aumenta em US$ 500 para cada 500 metros. Como o Monte Everest possui vertiginosos 8.848 metros, a permissão custará cerca de US$ 3.350.
Agora que já tem a sua permissão, você está pronto para escalar, certo? Não necessariamente. Se desejar seguir a rota mais comum ao topo do Everest, você estará devendo ao governo do Nepal US$ 25 mil em royalties se estiver sozinho ou US$ 70 mil para uma expedição de sete pessoas [fonte: Nepal Mountain News (em inglês)].
Não pode pagar? Aguarde o fim da temporada. Para aumentar o turismo do Everest durante os meses mais frios do ano, o governo nepalês anunciou em 2007 que iria reduzir as taxas de royalty para as pessoas interessadas em escalar o Everest durante o outono e o inverno. Se o plano proposto der certo, uma escalada entre setembro e novembro custará 50% menos que o preço normal, e entre dezembro e fevereiro o preço estará 75% mais baixo. Se você ficou atraído pelos preços, o Nepal está pronto para juntar o dinheiro do turismo de fora de temporada.
Ao chegar à região de Khumbu, há outros gastos também, como estadia, alimentação e quaisquer outros suprimentos adicionais não-incluídos nas despesas da expedição. Além das empresas de trekking, mais de 300 hotéis e alojamentos surgiram com o turismo e muitos deles são de propriedade dos sherpas locais [fonte: Reid e Kendrick]. Algumas pessoas transformam suas casas em casas de chá ou estadias de pernoite para os turistas que desejam uma experiência mais "autêntica" no Himalaia. Centenas de homens nepaleses também vêm de outras áreas para Khumbu, esperando encontrar trabalho como porteiros em expedições e carregando equipamento de trekking Everest acima. Até mesmo os monastérios budistas de altas altitudes atraem a renda dos turistas que passam.
Todavia, o turismo também paga seu próprio preço em forma de destruição ambiental. Continue lendo para conhecer as repercussões ambientais do turismo ao Monte Everest.